Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas na voragem do tempo
Terça-feira, 20 de Março de 2012
Hoje e sempre...Primavera
foto da net

 

A Primavera de hoje, qual aragem deliciosa, entrou-me pela ignota porta dos sentidos e, qual felino dengoso, espreguiçou-se pelo meu corpo. Todavia, a jornada habitual continuou a rotina dos dias transactos. Numa cinética pessoal, deixei-me manter no embalo ritmado de todos os dias, mesmo dos mais desgastantes. Os afagos primaveris não conseguiram, apesar do calor emanado das flores e dos frutos, dar-me a agilidade e subtileza das asas das borboletas que esvoaçavam de pétala em pétala. Contudo, os meus olhos, algo esbatidos pelas sombras, não se cansavam de acompanhar os traços, geometricamente artísticos, gravados no espaço pelas belas mariposas. Os aromas brotavam de mil partículas, arrastadas, num gesto volátil, pelo doce roçagar das asas, num movimento quase perfeito. Entravam-me, num revolutear espiralado, pelas narinas e desaguavam no fundo das entranhas.
Hoje consegui viver este início duma aurora primaveril, em cada fragmento da natureza, sem atropelos e sem desvarios. Apenas a ânsia de vivê-la, em cada raio de luz e em cada "pixel" de cores e em cada "bite" de melodiosa sonoridade. Pretendo partilhar, com todos, este facto. Conseguirei?
 

sinto-me:
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Domingo, 27 de Setembro de 2009
Talvez uma segunda oportunidade

em meditação

 

 
 
 
 
(Post publicado em simultâneo noutros blogues do autor)
 
Não queria deixar de rabiscar a minha opinião sobre tudo o que nos vai fazer desaguar esta noite num pós eleitoral de alegria ou tristeza.
Sejam quais forem os resultados, tal como a maioria das pessoas, acredito que ninguém será maioritário. E por esse facto já poderemos ficar descansados, pois as maiorias costumam absolutizar o poder e tornar a democracia incaracterística e algo prepotente. Depois é vê-los, os senhores das cúpulas, a brandir a bandeira da arrogância e da indiferença. Já vimos e provámos esse petisco.
Todavia, mesmo sem maioria, teremos que definir hipóteses e seleccionar esquemas de vida.
Dos habituais contendores há sempre a dupla que discute o lugar cimeiro e forma governo: ou PS ou PSD, que, coligados ou não, entre si ou com outro partido muleta, deverão formar e presidir um novo Governo. Creio que os portugueses, por atavismo ou não, continuam a ser muito conservadores nas escolhas, quase indiferentes e passivos no seu quotidiano político. Comodismo? Receio da mudança? Masoquismo? Seja lá o que for, teremos que aceitar.
Num passado não muito longínquo já tivemos PSD com e sem alianças, e em tempos de muito dinheiro da UE a entrar no País a fundo perdido. Aplicou-se bastante, mas também enriqueceram muitos políticos desse sistema, de forma fraudulenta e deixando o povo na mesma miséria. Criaram-se bancos e estruturas financeiras oportunistas, para que os novos-ricos, quase sempre ligados ao sistema político vigente, guardassem os produtos desviados fraudulentamente e quiçá as parcelas legalmente ganhas. E que se viu?
Aparecem as vergonhas dum BPN quase totalmente dominado por políticos do PSD e amigos próximos, que servia de couto para tipos sem vergonha que se serviram dos dinheiros de todos os portugueses e o aplicaram apenas em benefício próprio e dos seus. Chamar a isto políticos sérios é o mesmo que dizer que Hitler foi um governante sério e justo, salvo algumas diferenças pontuais. O pior é que governantes actuais e de suposta confiança, concediam benesses nacionais a alguns desses “ladrões do povo”. Claro que também tiveram exuberantíssimos lucros e proveitos com as fraudes cometidas, mas parecem estar alheios ao facto, como se a seriedade e honestidade fossem um saco roto. Não deverão justificações ao humilde povo que roubaram? E o castigo da Justiça, onde está? Intocáveis? Não pode ser!
É certo que muitas outras manigâncias se cometeram na alta finança portuguesa, mas curiosamente (coincidência, acaso?) só com este último Governo de Sócrates é que começaram a desvendar-se essas fraudes e abusos dos “novos-ricos” cheios de falso poder. Louvor seja dado, então a este Governo, pelo menos neste campo, em que os pseudo-poderosos começaram a ter que prestar contas de fraudulentos negócios e enriquecimentos. Governos anteriores (com telhados de vidro) nem sequer ousaram investigar… deixaram-nos continuar no “negócio”.
No tempo dos governos de Cavaco, sendo Primeiro-Ministro Mário Soares, com tanto dinheiro a entrar no País, a fundo perdido, criaram uma lei que iria beneficiar e apenas enriquecer TODOS os políticos que estivessem no activo: criaram as subvenções políticas, uma remuneração adicional à reforma, algo substancial, e que era atribuída ao fim de poucos anos de exercício político efectivo. Sabemos que quase todos os políticos ainda no activo (pois são sempre os mesmos a ocupar cargos!) e outros já aposentados (mas com tachos milionários de pseudo-gestão) são beneficiários efectivos dessa subvenção política adicional. Se ainda não a recebem, vão recebê-la, pois foi-lhes atribuída por lei, anteriormente. Só os novos, mesmo novos, que nunca foram reconduzidos nos seus cargos, é que já não vão ter direito a essa subvenção. Porquê? Porque o Governo de Sócrates, e muito bem (mais uma vez este Governo!) se dignou colocar um fim a essa vergonhosa benesse dos políticos. Já não foi sem tempo, no entanto deveria retirá-la a quem dela usufrui, pois hoje há muitos trabalhadores que já vão perder benesses normais das suas futuras reformas, mercê de nova legislação que mexeu nas “regras do jogo”. A perder, percam todos e haja moralidade!
Acusaram este Governo de muitas irregularidades e gritam-nas aos quatro ventos, mas parece que apesar de algumas dessas irregularidades, ainda conseguiu ser mais justo que governos anteriores, doa a quem doer.
Realmente também ofereceu “tachos” e um deles é o de Jorge Coelho, na Mota-Engil, que tem direitos até longas datas e “ganha” muitas empreitadas. Mas, se bem se lembram, esta benesse concedida veio tirar idêntico, ou até mais grave, “tacho” que fora concedido pelo PSD a Ferreira do Amaral, com a Luso-Ponte. E Ferreira do Amaral, já não tinha cometido erros enormes na EXPO-98, além doutras derrapagens vergonhosas em seu proveito? Não sou eu que o digo, os jornais escalpelizaram os problemas. Pois bem, embora mal, aqui, “amor com amor se paga”. No entanto deveremos continuar alerta e vigilantes, denunciando estas irregularidades e benesses.
Neste Governo houve um facto que muito me marcou, pela arrogância dos governantes, mal informados e num autêntico despique político com sindicatos de esquerda (além doutros) – a reforma do Ensino, a guerra com os professores.
Claro que aqui o Governo exagerou e procurou impor-se a uma classe que não tinha qualquer interesse numa guerra Governo/Fenprof. Também é certo que os professores, apesar de ser uma classe “a toque de campainha” (quase a única, na Função Pública) merecia que lhes corrigissem determinados vícios ancestrais, que não foram eles que criaram, mas os sistemas políticos anteriores. Refiro-me, particularmente a carga horária de luxo, essencialmente em finais de carreira, em que a componente lectiva era muitas vezes de 14 horas semanais! A componente não-lectiva não era nada de pesado e, por vezes, quase inexistente. Também a progressão na carreira era de um facilitismo notório, sem prestação de grandes provas, embora fossem avaliados (contrariamente ao que o Governo deixou transparecer), frequentando acções de formação, mas muitas delas de valor duvidoso e dificuldade quase nula.
Contudo, este Governo, como já muito propalado, criou um ECD (Estatuto de Carreira Docente), demasiado confuso, complexo e que gerou algumas injustiças inter-pares. A avaliação do desempenho tornou-se um cavalo de Tróia, uma guerra de complicados papéis. A divisão dos professores em Professor e Professor Titular, criou injustiças com criação apressada de Titulares sem regras justas e lógicas, sobejamente conhecidas. Mas, o pior de tudo, ainda foi a nova forma de Gestão Escolar, em que se deu azo a muitos oportunismos de índole política local, com escolha de Directores, maioritariamente, em período de interrupção lectiva (Páscoa). Estes Directores de Agrupamentos escolares, passaram a ter um poder absolutista, que urge modificar, e foram eleitos por um Conselho de Escola em que a maioria dos eleitores não são professores, ou seja, por exemplo, em vinte elementos apenas sete serão professores. Ora estes são, com os seus colegas de Agrupamento, as verdadeiras vítimas dos atropelos cometidos pelo excessivo poder dos Directores, que reinam a seu bel-prazer, sem, muitas vezes, ouvir opiniões dos colegas. Além disso têm um bom suplemento remuneratório para o desempenho da sua actividade e rodeiam-se de adjuntos da sua confiança que nem sempre serão os mais capazes, já que receiam o incómodo e a sombra de alguém mais bem preparado, fomentando o já conhecido Princípio de Peters, tanto em voga na política, desde a central à autárquica, além doutras. Como exemplo diga-se que para cargos de Coordenação Pedagógica são exigidos professores Titulares, mas para a Gestão Escolar e adjuntos do Director, não são necessários os Titulares! Belas hierarquias!
Claro que não vou, aqui, repetir muito do que já escrevi noutras alturas, mas queria deixar um apontamento e alerta para muitos dos professores que andaram agora em plena campanha eleitoral a reabrir as feridas que levaram às grandes greves, e justas, da classe. Alguns estão a querer passar por serem “socialistas” ou que votaram “Sócrates” nas anteriores Legislativas, mas creio que a maioria deles não votou “Socialista”. Sempre foram, ou mais à esquerda e “agentes sindicais” disfarçados ou são “PSD’s” camuflados. Creio que não enganam as pessoas, mas para esses deixo-lhes um repto e solicito-lhes que me expliquem o seguinte: acham que o PSD não queria que fosse aprovado este ECD? Então porque faltaram aqueles cerca de 30 deputados desse partido, no dia da votação deste ECD, que poderiam ter evitado, como sabem, a sua aprovação? É fácil, Manuela Ferreira Leite queria mais tarde, se ganhar estas Legislativas (o que não acredito), não ter a classe dos docentes contra ela, pelo que favoreceu estas faltas. Posteriormente seria só dar uns retoques nesse mesmo ECD, e até passaria pela melhor do mundo!
Logo a seguir veio também, muito pressuroso, o Presidente da República, aprovar e promulgar esse ECD. Claro que primeiro falou com MFL e o partido, que é o seu, por muita isenção que procure evidenciar. Veja-se agora o caso “inventado” pelo seu Gabinete sobre as “pseudo-escutas”. Porque não vetou então o documento e o promulgou? Era mais plausível que o fizesse face ao hipotético descontentamento dos seus correligionários, mas não convinha… era mais lógico vetar outros documentos que discordassem da sua fé e filosofia de vida, como o das uniões de facto (aqui a MFL impôs-se-lhe, com a disciplina partidária e o retrogradismo de ambos!). Conclusão, ao PR, tal como ao seu partido, não convinha anular a promulgação do ECD. É por demais evidente.
 
Dada a já longa exposição, não vou estender-me mais, deixando novo comentário para depois. No entanto, acho que na sua globalidade o Governo de Sócrates foi o melhor de todos os anteriores. Reformista, dinâmico, eficiente e, apesar da crise capitalista mundial (inegável e destruidora de todas as economias mundiais), conseguiu manter firme a nossa Economia, já de si muito frágil. Creio, pois, que merece uma segunda oportunidade de governação, pois até Cavaco a teve naquela sua longa governação, num período em que mais dinheiro a fundo perdido entrou no nosso País e desapareceu, muito dele, para enriquecer os seus amigos e correligionários. Foi assim que nasceu o BPN, quase aposto. Foi assim que nasceram as subvenções políticas a que Sócrates colocou ponto final.
Logo se verá quem ganhou e, seja qual for o resultado, a vida continuará. Que os vencedores formem um Governo que leve o País a bom cais e nos tire desta malfadada sina de sermos eternamente pobres e injustiçados.
 

 

 


sinto-me: feliz e realizado

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Terça-feira, 7 de Outubro de 2008
Voltei...e voltamos sempre à mesma fossa!

 

Há tempos que não visito este recanto das minhas divagações, mas nem por isso reconheço que desapareci do mapa. Tal como o País, que já não é o das Uvas, de Júlio Dantas, até pareço dar ouvidos ao grande "arreliador" de Dantas, o inesquecível Almada Negreiros: "morra...morra...pim"! Lá vamos morrendo, tal como a Pátria, devagar e ao som dum "salve-se quem puder e como puder"! É para a hecatombe que parecemos sobreviver, na esperança que o desespero espere por melhores dias... tal é a magnitude desse desespero.

É facto que não pretendo desligar o interruptor da luta e sobrevivência, mas na conjuntura política, económica e social dos nossos dias, até apetece tomar atitudes de "crime e castigo". Mas, na realidade, se tivéssemos que castigar alguém, com certeza não nos autoflageríamos, de tão zurzidos e explorados que somos num quotidiano sem limites. Ora sobem os impostos e as energias, ora sobem a angústia e o desespero. Em compensação, mas ingrata compensação, ora descem  os euros do nosso já magro pecúlio, ora descem a qualidade do nosso Ensino e dos Cuidados de Saúde. Claro que sobem e descem muitos outros parâmetros do nosso penoso dia-a-dia, mas quase sempre a nosso desfavor... pudera, convém é engordar "à fartazana" os nossos eleitos que, em parangonas de ocasião, nos levaram a colocá-los no pedestal superior, aquando do acto eleitoral. Mas cautela, não se repitam as asneiras de tantos anos, em que se deu oportunidade aos mesmos de sempre e, se esqueceu que, na política nacional, não existem só dois ou três partidos capazes. Claro que não vou chamar os "boys" pela nomenclatura partidária, mas resfirmo que nem só de pseudo-socialistas e pseudo-sociais-democratas vive a política nacional.

Pensemos bem quem comeu o erário público, cada vez mais desgastado, quem destruíu a Saúde e o Ensino deste País, e quem enriqueceu à custa de todos e à sombra de cargos políticos que lhes atribuíram por boa fé e na esperança de ajudar e defender um povo já muitos anos massacrado, subjugado e economicamente depenado.

É ver o que vai sucedendo mundo fora, num desequilíbrio social alarmante, em que muitos morrem de fartura total enquanto significativamente muitos mais morrem de penúria e miséria.

Nem sequer duvido que todos sabemos quem é quem, quem produz a riqueza e quem melhor se aproveita da mesma. Mas todos temos a certeza duma coisa: quem produz a riqueza mundial (os operários) quase nunca é quem dela usufrui, mas sim os que se intitulam "dirigentes" das massas e se autodenominam de melhores gestores de bens e dinheiros. É muito fácil viver sobre o suor e sangue de quem trabalha!

Agora, nos tempos difíceis que correm, os que roubaram e não gataram tudo, vão suportar a recessão, mas aqueles que se esfolaram, e vão continuar a esfolar, não vão aguentar a inflacção que se aproxima.

Vamos voltar, quem as tiver, à hortazinha dos legumes, à capoeira doméstica e à técnica do "desenrasca-te ou não comes".

Afinal o mundo é mesmo uma bola em que alguém nos e se amola, e que no seu movimento giratório volta sempre ao mesmo ponto. Estamos onde sempre estivemos... na fossa.


sinto-me: desiludido...mas esperançado!

publicado por dbo às 18:38
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Terça-feira, 10 de Junho de 2008
Dia de Portugal

                                                    

 

Dizem que anda por aí uma loucura inusitada, mas explicável. Tudo gira na espiral da bola, com a "Portuguesa" na sua trama e vertigem. Dentro dum micro-cosmos lusitano, de "brandos costumes" eivado, esbarramos num patriotismo quase inebriante e doentio. Nas asas do vento corriam vozes que nos apodavam de saudosistas e sebastianistas, à espera do "V Império" e duma Pátria rejuvenescida. Mas, eis que despertamos lentamente dum pesadelo de grilhetas seculares e sentimos que a Pátria não é nossa, mas de alguns que se dizem "dos nossos". Sim, são dos nossos, mas estão sobre nós, vexando um povo e uma Pátria que trinta e quatro anos atrás se sonhou ser realmente nossa e cada vez mais nossa, mas afinal é só de alguns que vão continuar a dizer que são "dos nossos".

                                                                

 

 

Pobre Camões que morreu miserável, simbolizando a Pátria, nessa altura em agonia, e sendo agora o suporte ideológico dum povo que também vai morrendo com a Pátria. E dizem que nós somos essa Pátria! Que Pátria, que mais parece uma Mátria sugando o sangue de seus filhos dilectos, num abraço estertoroso de sufocação. Claro que os maldizentes apologistas que se dizem "dos nossos" esquecem que uma Pátria doente é o pilar de um Povo moribundo e, quando esse povo morrer já não haverá quem lhes alimente a sofreguidão e avidez. Será então chegada, mais dia menos dia, a sua vez de entrar em agonia.

Onde estão a solidariedade e a justiça social que todos sonhámos naquele alvorecer de um Abril já esquecido e desvirtuado pela cobiça de uns tantos que se intitularam e continuam a intitular "dos nossos"?

A Pátria e o seu patriotismo não passarão muito da eternizada loucura pelo Fado e Futebol. É vê-los, alimentar um povo de mitos e promessas!

Mesmo assim continuaremos sempre portugueses ... doa a quem doer, mesmo a nós próprios, masoquistas dum sonho Português.



publicado por dbo às 17:45
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008
Divagar de novo... sempre devagar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Perante tamanha ausência, à luz dimensional do meu mundo cheio de dolorosas cicatrizes, nada melhor que divagar mirando a bela paisagem do Gerês. Rudes as pedras, como agrestes são muitos dos meus pensamentos, mesmo mirando oa limpidez cerúlea das serenas águas. Muitas vezes temos que saborear o fel da vida, mas sem nunca subvalorizar as divinais belezas da Natureza que nos abraça, num quotidiano feito de felicidade e sofrimento. Os antagonismos desta nossa conduta são a dialéctica de uma vida que não se esgota apenas em momentos feitos de tudo e nada. Nunca daríamos apreço ao prazer se não provássemos a dor, mesmo bebida em gomis de violência criada a partir de ignotas razões.

Hoje pretendo divagar devagar, "lento pede sed secure". Por amor a todas as deidades da mãe-natureza, não me impeçam de exprimir o desejo e o alento de quem mastiga incertezas e vagueia nas ondas dos perigos eternamente anunciados.

Num autêntico "Carpe Diem" quero divagar ao som e compasso de todos os meus silêncios que jamais serão revogados por decretos.

Qual libélula, voando sobre as fetas do meu jardim, assim divagarei...devagar, deixando os penedos e as cerúleas águas para trás de todos os meus sonhos e delírios.



publicado por dbo às 22:59
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Terça-feira, 26 de Setembro de 2006
...

 Aqui sempre houve gato, mas a luz evitou que fosse denunciado pelo rabo de fora. Quando as coisas são claras, nada as poderá ocultar, a menos que sejam tão claras que se tornem transparentes e invisíveis, como certos acontecimentos do nosso dia a dia que de tanta clareza nem se vêem. Tanto faz ser na política como nos eventos sociais e religiosos. Até parece a história daquele reino em que o rei ia nú, mas os inteligentes até o viam bem vestido e ataviado...mas há sempre um inocente, criança ou não, que na sua infantil candura e ignorância das imposições sociais grita as verdades que vê.

No nosso reino também parecem abundantes os nús e mal vestidos que tentam deitar terra para os olhos do Povo. Mas este parece que cada vez tem a visão algo mais apurada e consegue discernir entre nudez e boas vestes. Afinal nem todos os ensaios são de cegueira.

Parece que o pessoal está a abrir os olhos para a nossa realidade. A riqueza e a pobreza continuam a caminhar no sentido único da agudização, ou seja, os ricos continuam a ficar cada vez mais ricos, assim como os pobres continuam a ficar cada vez mais pobres. Porquê? Só não vê quem é cego, e de cegueira partilhada e displicente já basta. É preciso despertar a ousadia dos cérebros anquilosados pela ignorância de meio século salazarento, logo seguido pela opressão pseudo-democrata de mais trinta anos de riqueza a correr para o lago dos políticos oportunistas, inaptos, ignorantes e saqueadores do tesouro nacional e das benesses da UE. Trinta desastrados anos de governos sem rumo, sem disciplina económica, sem gestão justa e igualitária... enfim, um bando de usurários e delapidadores dos nossos dinheiros.

E agora? Que fazem os actuais gestores deste País?

Tudo o que se está a ver. Assistimos, impávidos, sem participação colectiva, à destruição da Educação, da Saúde, da classe baixa de funcionários públicos, etc. Mas a pesada máquina política continua a usufruir de mordomias e direitos que não merece, nem tem direito a usufruir perante tanta pobreza e desgraça nacional.

Será que estamos todos cegos?

Será que o Rei vai mesmo nu?

 

 


sinto-me: pontapeado "in situ"


Sexta-feira, 14 de Julho de 2006
Regresso...sem grandes mudanças

 

 

                        

Sem grandes motivos para estar contente e muito menos feliz, regresso com o mesmo nome, acrescido do algarismo dois (2). Não me permitem manter o mesmo nome simples, "Divagar Devagar", a menos que o apague definitivamente, o que não me seduz. Sei que a perda seria nula, mas há sempre um certo gozo na manutenção do que se construíu antes, mesmo sendo uma resma de futilidades.
 
E tudo porquê? Simples...simplicíssimo.
MUDEI DE SERVIDOR ADSL, do SAPO para a ONIDUO, (porque saí da PT, como muitos!...) logo, “teria” que perder o acesso ao meu antigo webmail ADSL SAPO, já que não me interessava duplicação de servidores (que nem sei se é possível). Deixei então de ter permissão de aceder ao antigo BLOG, mas permitem-me, não sendo cliente ADSL, utilizar webmail da SAPO, o que já não é mau. Bom, assim ficará o primeiro Divagar Devagar enquistado nos BLOGS SAPO, e este ficará registado como o DIVAGAR DEVAGAR-2, e não me ralarei mais, pois deixarei subjacente nos links o “enquistado”, no qual jamais poderei mexer.
A vida continua e, aproveitando o slogan da SAPO, direi: vou continuar a ASSAPAR, mas como puder.

sinto-me: em forma

publicado por dbo às 19:44
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