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DIVAGAR DEVAGAR-2

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Momento Poético - 119

Cantico-delle-Anime-di-Roberto-Ferri.jpg

                           ( "Cantico-della-Anime", pintura do artista italiano Roberto Ferri)

 

A volúpia dos sentidos

 

 

Na glamorosa fenda    de teu ser

suavemente    e sem medos    eu me afundo

grato    aos deuses da vida    vou sorver

delícias    do teu cio vagabundo.

 

Juro que não me importo de sofrer

nos gestos de amor    quando te fecundo

podes crer    mesmo em transe    até morrer

sentir-me-ei    o mais feliz do mundo.

 

Amar-te    na volúpia dos sentidos

desfalecendo    até sentir teu sangue

entranhar-se em meus  poros encardidos

 

num frenesi    até ficar exangue

expulsando os demónios pervertidos

que vivem    na avidez de sexo e sangue.

 

 

(batista_oliveira - 30/04/2019)

Momento Poético - 118

Wallis-Spring_Glow-24x30-oil_canvas.jpg

                                      (pintura do artista figurativo americano Eric Wallis)

 

Faremos do amor lei

 

 

Recordo a tua imagem    junto ao lago

deslumbrada    no sonho da paisagem

diluída    num tom de luz    tão vago

que    até    me pareceste uma miragem.

 

Sentia a tua luz    num terno afago

deslizando    em meu rosto    doce aragem.

Estupefacto    num único trago

bebia toda a cor    da tua imagem

 

que transformava em versos e poemas

feitos    de mil palavras    que sonhei

para    mais tarde    ornar-te    com diademas.  

 

Tu serias rainha    e eu    teu rei…

nas armas    estaria escrito o lema:

“sempre unidos    faremos    do amor    lei “.                  

(batista_oliveira - 16/04/2019)

Momento Poético - 117

Alex Alemany - Tutt'Art@ (45).jpg

                      (pintura do artista espanhol Alex Alemany)

 

Corações incandescentes

 

No espelho    em que mirei teu belo rosto

ousei gravar e confessar meu nome

beijei teus lábios    com sabor a mosto

tantas vezes    mas    sem  matar a fome.

 

Sempre te amei    de agosto a novo agosto

a dar-te todo o amor que me consome

deixando    para trás    tanto desgosto

e a dor que    lentamente    me carcome.

 

Nas curvas de teu corpo    me deitava

da pele    ressuava um cio ardente

enquanto    em tuas ancas    me embalava.

 

Hoje    encostando-me ao teu peito ardente

sinto    teu coração    lançando lava

que entra    no meu    e o torna incandescente.

 

(batista_oliveira - 02/04/2019)

Momento Poético - 116

emerico imre toth.jpg

                         (pintura do artista húngaro, Emerico Imre Toth)

 

 

No lago dos teus olhos

 

Recordo o teu  olhar    de luz intensa

fixo num  horizonte    sem ter fim

buscando uma razão    talvez pretensa

para as questões que te pus    sobre mim.

 

Em ti    não vi nenhuma malquerença

que pudesse virar-te    contra mim

pois    em nós    não havia diferença

que pudesse gerar    qualquer chinfrim.

 

No lago dos teus olhos    sempre vi

que    nosso amor    seria eterna luz

e    nos passos que deste    sempre li

 

as marcas da esperança que    em ti    pus

e as ondas dos afetos que senti

na relação a  que  fizemos jus.

 

(batista_oliveira - 26/03/2019)

Momento Poético -115

 

alex alemany5.jpg

                                       (pintura do artista espanhol Alex Alemany)

 

 

 

Para sempre    mulher

 

Trazias    entre as coxas    um sacrário

de divinal amor    louco prazer.

Nele    depositei todo o meu ser

fiz ninho    do meu sexo imaginário.

 

Duas vezes    douraste o teu berçário

duas pérolas    vimos florescer

dia    após dia    vi-te amanhecer

sentindo o sol    beijar teu estuário.

 

Corpo de mulher    corpo de prazer

sonho de mulher    sonho de loucura

tudo    em ti    me fazia estremecer.

 

Sacrário divinal    mulher madura

refúgio do meu sémen    a ferver

mulher de ontem    mulher de hoje    e futura.

 

(batista_oliveira - 12/03/19)

Momento Poético - 114

crystal-clear-creek-eric-kent-wallis.jpg

                                (pintura do artista americano Eric Wallis)

 

 

No rio das minhas lembranças

 

 

No rio das minhas lembranças

nunca o tempo parou

e quase sempre galgou as margens

para lá dos infinitos medos

que jaziam

sob o olhar da minha solene inquietude.

 

Fantasmas de palha

à espera de serem varridos

pelo fogo do esquecimento

mantinham-se no deslumbramento da solidez

trespassando os objectos

havia muito

ocultos no granito da memória.

 

Na imprecisão das lembranças

o tempo

era um simples visionário

de paisagens imaginárias

e vazava    

no alor do meu quotidiano

as vozes de um passado

que se despenhava

nas cataratas do esquecimento.

 

A ressonância das lágrimas vertidas

num arrependimento    

sem penitências

ecoava nas catacumbas dos medos construídos    

à medida do meu sofrimento.

 

Nem toda a lembrança

era um rio de sangue

nem todo o tempo

media a estreiteza

das veredas do passado.

 

Os olhos apenas alcançavam

o sabor salino e amargo

das lágrimas que ressoavam

na pungência do meu sofrimento.

 

Lágrimas    

          um rio que transborda de mim

Sofrimento   

          Um calafrio quase sem fim

Lembrança    

          Arrependimento e dor

Tempo  

          um movimento incolor 

 

(batista_oliveira - 13-03-2018)

Momento Poético - 113

Salvador Dali venus e cupidillus.jpg

                     (pintura do artista catalão Salvador Dali - "Venus e cupidillus")

 

Ouvindo… o silêncio das coisas que não éramos

 

 

Menino ainda    ouvia

e sentia teus passos de luz

calcorreando as lâminas do vento

numa gesta

que buscava todos os caminhos

jamais encontrados

e ocultos nos resíduos de outros ventos

depositados em memórias

que permaneciam na caixa de Pandora

à espera que a maturidade da tua ternura

pensasse em mim

e te concedesse o dom

de ouvires os silêncios

de tudo quanto teríamos ainda

para falar e dizermos    

entre espadas de amor e beijos de loucura…

 

na cristalina redoma do silêncio

falávamos

com tudo o que nunca sonharíamos encontrar

a gratidão verde das árvores

a limpidez líquida das águas

as libidinosas carícias do vento

o calor e brilho do sol

a ternura selvagem da bicharia

a estonteante indiferença dos homens

enfim    falaríamos de tudo

quanto a nossa imaginação sorvesse

num quotidiano de desejos inacabados

como se    num delíquio de eternidade

voássemos sem asas e caminhássemos sem pés…

 

na dormência de um futuro

prisioneiro da nossa imaginação

continuaríamos    meninos    

imaginando o inimaginável

num dossel de candura

e num mágico dom de ouvirmos

o silêncio das coisas que não éramos

mas    que o futuro encarregaria de sermos

quando os teus passos de luz

iniciassem a longínqua e romântica viagem

para todos os sonhos e anseios

depositados nas luminosas margens

do meu rio de sentimentos…

 

(batista_oliveira - 19/02/2019)

 

Momento Poético - 112

vaughan Alden Bass.jpg

                                    (arte pin-up do artista americano Vaughan Alden Bass)

 

amor impoluto…perversos desejos

 

 

Não há perfume orgástico

que macule

a virgindade da tua pele

amamentada pelo cio

traçado nas lâminas

de perversos desejos.

 

Teu corpo

enviesado de beleza

e espelho de tantos olhares famintos

mantém a frescura floral

e o esplendor volátil das abelhas

sugando doces néctares

sobre pétalas

de promissores castelos de mel.

 

Continuas a brilhar

na linha sensual das tuas curvas e contracurvas

num enredado atalho

que se prolonga muito para além

do desejo espermático de tantos garanhões

ensandecidos pelas gónadas

dos seus caóticos neurónios.

 

Os relâmpagos

emanados da tua pele

surgem como bofetadas enigmáticas

de clarões que se diluem

no poema do teu corpo

sensualmente atraídos

pelos ímanes do teu cio.

 

Das iluminadas fontes

e bainhas do teu corpo

sairá toda a poesia do teu cio

escondido nas margens dos meus

e muitos outros desejos famintos

que farão transbordar

de orgástica sinfonia

teu corpo inebriado de sonhos eróticos

construídos na loucura dos desejos

que se volatilizam

no cio efervescente

traçado nas lâminas

de perversos desejos.

 

Na enigmática

e silente lucidez de sexos ardentes

renascerão

no tapete florido de teu corpo

as luzes que iluminarão

todos os poemas

que ambos decidimos lavrar

sobre as messiânicas tábuas

de um amor impoluto.

 

(batista_oliveira – 02/10/18)

 

(publicado in "Antologia Artelogy – Outono 2018")

Momento Poético - 111

olga solovey.jpg                                                (pintura da artista ucraniana Olga Solvey)

 

 

A poesia de teus lábios

 

Trazias    nos teus lábios    a poesia

que emanava    da boca    em marés vivas

pássaros volitando    de alegria

alados    de palavras assertivas.

 

Teus beijos ressoavam maresia

esculpindo    em meu corpo    ondas furtivas

de erótica lascívia e ousadia

de gestos sensuais    sem evasivas.

 

Trazias a poesia    em tua boca

e um brilho de prazer    entre teus dentes

num rasgado sorriso    boca-a-boca.

 

As palavras drenavam    sorridentes

e    numa dormência terna e louca

trocávamos mil beijos inocentes.

 

(batista_oliveira - 05/02/19)

Momento Poético - 110

24408-Dali-Salvador2.jpg

                                                        (pintura de Salvador Dali)

 

devorando estrelas dos nossos poentes oníricos

 

na vida

que ambos desconhecíamos

havia silêncios

que devoravam as estrelas dos nossos poentes oníricos

onde os beijos perdidos

mergulhavam na monotonia

de horizontes de fogos-fátuos

que se deixavam diluir

no celofane luminoso dos lençóis lacustres

e nas ondas dos mares atribulados…

 

havia

a subjugação mental

de todas as luzes

que ofuscavam o lado cósmico dos nossos corpos

entrelaçados num emaranhado de nós

quase maquiavélicos

de tantos espelhos côncavos

e maculados de imagens distorcidas

que procuravam refúgio

nas fendas desmaiadas dos seus reflexos…

 

pouco a pouco

íamos desvendando

a parcela finita

desse ignoto modus vivendi

e a nossa inocência de raízes desconhecidas

tornava-se uma verdadeira caixa de Pandora

desmantelando todas as borboletas efémeras

que sobrevoavam os nossos sonhos…

 

assistíamos

impunemente

ao irresistível incêndio da nossa carne

enquanto o nosso amor

despoletava uma autêntica explosão de glândulas e gónadas

estonteadas na psicose

quase paranóide 

duma simbiose visceral e psíquica…

 

ambos construíamos

as alucinantes manhãs

de frutos em maturação lenta

ao som das harpas solares

que nos inebriavam a sensibilidade timpânica

e nos preenchiam  os poros

e a macieza duma cútis

faminta  de esotéricas sinestesias…

 

na  terna agitação

de beijos fluidos

em calorosa cumplicidade de orgasmos apetecidos

continuávamos impregnados nos silêncios

que devoravam auroras cristalinas

e estrelas dos nossos poentes oníricos

ousadamente alucinados

no esplendor

dum leito de prazeres intemporais.

 

 (batista_oliveira - 29/01/2019)

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