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DIVAGAR DEVAGAR-2

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Momento Poético - 138

 

razumov159ff71-0f4b-4ed8-b2ee-ddf1d17694d4_570.Jpe                                              (pintura do artista russo Konstantin Razumov)

 

Duplamente feliz                              

 

Duplamente feliz    dizias que eras

uma nova mulher    com dois amores.

Em vez de uma    terias duas flores

transformando teu corpo em primaveras.

 

Bailavas    mariposa de quimeras

sobre um jardim ornado de mil cores

livre de sofrimento e dissabores

num dia a dia    sem quaisquer esperas.

 

Procuravas amar    furtivamente

alternando os caminhos do prazer

e entregando o teu corpo irreverente

 

não deixando a volúpia esmorecer

nesse alternar de gozo intermitente

e degustando o verbo enlouquecer.

 

(batista_oliveira  - 26-07-2020)

Momento Poético -137

robertoferri2.png

                                              (pintura do artista italiano Roberto Ferri)

 

revoltada e insubmissa

 

Num discurso vazio e desconexo

gritava    com palavras sufocadas:

não quero amor    nem quero apenas sexo.

Sou mulher de paixões arrebatadas

 

e  não quero viver presa ao complexo

que nós    mulheres    só fomos talhadas

para sermos submissas e    sem nexo

vivermos prisioneiras e caladas.

 

Vós    homens    fazeis tudo o que quereis.

No adultério    matais fome de alguém

no amor    não respeitais quaisquer leis

 

mesmo casados    tudo vos cai bem.

Se    com outra mulher    sexo fazeis

porque razão    não o farei também?

 

(batista_oliveira - 28/8/2018)

Momento Poético - 136

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                 (pintura, óleo sobre tela, partilhada do Google, de autor desconhecido)

 

 

A rocha envenenada

              

               I

Dois mil e dezassete    ano em que amaste

uma pedra    de musgo revestida.

Porque andavas doente e deprimida

numa louca paixão    te arrebataste.

 

Julgaste amar coisas que nunca amaste

e    logo    aquela rocha empedernida

que te roubou uns bons tempos de vida

mas já    com nosso amor    recuperaste.

 

Certo dia    fui ver  esse calhau

e  espantei-me    com tanta fealdade.

Lembrou-me o velho casco duma nau

 

encalhada    pós dura tempestade.

Quando vi    no rochedo    um ninho de lacrau

senti    quão venenosa era a amizade.

 

                     *****

                   II

Essa pedra que amaste    por doença

de insidioso veneno era impregnada

e sendo    na paisagem    uma ofensa

deveria    dali    ser retirada.

 

Notei que    nessa altura    andavas tensa

procuravas estar sempre isolada

qualquer coisa seria uma pretensa

desculpa    para estares afastada.

 

Recordo que    até poemas    rebuscavas

pra dedicares a tão fútil massa

inerte e corolário de ignorância.

 

Louca e tão obcecada    até julgavas

que qualquer pedra bruta tinha graça

que merecesse tanta relevância.

 

 

(batista_oliveira – 27/06/2019)

Momento Poético - 135

 

mystery-afremov-leonid-afremov.jpg

                                         (pintura do artista bielorrusso Leonid Afremov)

 

Amanhecer na escuridão da cidade

 

 

Do mais fundo

da garganta da cidade

dentre os clamores

de sons martelados

na voz aleatória

das paredes dos edifícios

vinham sons melodiosos

que deixavam

um halo de frescura

na dureza laminar

dos ouvidos tensos

de angústia noturna.

 

Gerava-se o desejo

que fizesse romper

uma manhã de cânticos à vida

mas a rudeza pairava

na vibração

dos fios elétricos e antenas

que marginavam

os terraços bêbados

do luar que a lua paria

prenhe de escuridão.

 

Na densidade

de corpos quiméricos

ardiam de espanto

os perfumes efémeros

que se volatizavam

da frialdade dos relvados e arbustos

abafados entre as paredes

dos prédios dormentes

que transudavam

a viscosa humidade

das orvalhadas lacrimejantes.

 

Atentos

saboreávamos os sons melodiosos

que da noite

se escapavam pelas gárgulas

e escorriam

pelas paredes

dos nossos sonhos e pesadelos

num amanhecer sem cores

mas pleno de sons

que se dissipavam

em clamores ruidosos

devorando a precariedade

duma manhã

vítima de parto difícil.

 

A vertigem matinal

refém

das teias esconsas

da escuridão.

 

(batista_oliveira -02/08/2016)

 

 

Momento Poético - 134

igor belkovsky.jpg

                                            ( pintura do artista russo Igor Belkovsky)

 

 

Sem tabus

 

Adorei ver-te assim desinibida,

nua, sem preconceitos ou tabus,

mostrando a bela tez, fazendo jus

dum lindo corpo, flor apetecida.

 

Sei que adoras ser vista e seduzida

por olhos que cobiçam corpos nus

de mulheres que são raios de luz,

como tu, mulher bela e tão querida.

 

Quando te vi nas águas desse lago

apeteceu-me entrar nu e enlaçado

contigo, em terno abraço e doce afago.

 

Depois olhaste-me, sorriso ousado,

e o teu gesto deixou-me quase gago:

convidaste-me a entrar para o teu lado!

 

(batista_oliveira - 05/06/2015)

Momento Poético - 133

Svetoslav Stoyanov.jpg 3.jpg

                                             (pintura do artista búlgaro Svetoslav Stoyanov)

 

 

 

Aconteceu

 

 

Tu nunca contarás    nem falarás.

Aconteceu. Podia não ter sido

o culminar de tantas coisas más

deixando o coração muito ferido.

 

Melhor fora que o tempo    em marcha atrás

conseguisse apagar o sucedido

e pudesse trazer a nossa paz

para que todo o mal fosse esquecido.

 

Tudo passou    dirás tu    por descargo

de consciência    mas sabes que ficaram

montões de cinzas    com sabor amargo.

 

Não podes conceber    como normais

passos de contradança que mancharam

a confiança que não voltará mais.

 

(batista_oliveira - 27/03/2020)

 

Momento Poético - 132

Renso Castaneda Zevallos  (36).jpg

                                                    (pintura de Renso Castaneda Zevallos)

 

Rascunho dum passado

 

 

Nas tuas mãos    trazias o rascunho

dum passado    que nunca foi escrito

mas foi vivido    na explosão dum grito

com palavras    traçadas por teu punho.

 

Desse passado    não há testemunho

nem restarão    das cinzas    o detrito

contudo    viverás sempre em conflito

porque ficou    da vida    um gatafunho.

 

Vidas    que se cruzaram    num destino

pleno de contracurvas e obstáculos

na vertigem dum louco desatino

 

que nunca figurou nos meus oráculos…

Hoje    num gesto    belo e  cristalino

procuro remover todas as máculas.

 

 

(batista_oliveira - 05-05-18)

Momento Poético - 131

 

beautiful-oil-painting-by-rob-hefferan (12).previe

                                                             (pintura de Rob Hefferan)

 

 

Esse "AMO-TE" que gaguejas...

 

Não sou água que precisas

nem uísque que desejas,

mas sinto, quando me beijas,

quanto o meu corpo electrizas.

 

Em palavras imprecisas

teus lábios, duas cerejas,

num “AMO-TE” que gaguejas,

soltam letras indecisas

 

dum amor que é tão incerto

quanto a luz da escuridão.

Com teu coração aberto

 

esse “AMO-TE” é tradução

dum amor entreaberto

aos desejos da traição.

 

(batista_oliveira - 27/03/2020)

Momento Poético - 130

renso d3f5440507fc.jpg

                                                 (pintura do artista peruano Renso Castaneda)

 

Hoje    os tempos são outros...

 

Hoje    os tempos são outros    meu amor.

Nem Sodoma e Gomorra foram tão

cruelmente punidas    com dor. Não

se deve transformar medo em terror

 

mas esta primavera morre    em flor.

Da natureza    emana a escuridão

há nuvens negras sobre a vastidão

dum planeta que perde o seu calor.

 

Hoje    abri as janelas dos meus sonhos

e procurei aqueles que adorava

mas só vi pesadelos    tão medonhos

 

que logo as fechei. Não imaginava

que se haviam sumido os risonhos

dias em que a ternura nos beijava.

 

(batista_oliveira - 04/04/2020)

Momento Poético - 129

covid-19 2.jpg

                                                                   (imagem partilhada do Google)

 

 

Dies Irae

 

Neste arame farpado de agonia

em que todos sentimos fim de mundo

arrastamos grilhões de rebeldia

e fazemos    do irmão    um ser imundo.

 

Transpomos cada noite e cada dia

envoltos em terror    medo profundo

provamos o sabor duma sangria

numa taça vazia e sem ter fundo

 

olhamos para o lado e vemos morte

ouvimos as notícias    é só dor

na rua caminhamos    já sem norte.

 

Eis os dias da ira e do terror

dias de sofrimento e de má sorte

em que ninguém dará beijos de amor.

 

(batista_oliveira - 29/03/2020)

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