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DIVAGAR DEVAGAR-2

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

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Nêspera ou Magnório?

 

 

Nêspera

 Ora bem, após ausência ímpar neste espaço, lembrei-me trazer a imagem daquele fruto que nós, na minha região, chamamos de NÊSPERA. Come-se maduro, com aspecto de intensa maturação, quase escuro.

Esta imagem é duma nespereira que eu tinha enxertada num espinheiro e me foi oferecida por um amigo de Riba de Ave, que recentemente teve a amabilidade de me arranjar outra nespereira, não enxertada, e que também já tem frutos (pode ser vista logo  abaixo. Hoje já está maior, mas não disponho de imagens.

 

20150802_193141.jpg

 

Tudo isto vem a propósito da eterna duplicidade do nome nêspera, já que existe um outro fruto, a que na minha terra chamamos MAGNÓRIO, mas que em muitíssimos lados também é apodado de nêspera. Abaixo a imagem, tirada da net.

Magn_rios.png

 Claro que para mim sempre será NÊSPERA a primeira e MAGNÓRIO a segunda.

Eis que busquei explicações e achei um "site" (Memórias de Araduca) onde fui esclarecido e tomo a liberdade de roubar o seguinte texto (em análise posicional inversa, para corresponder às minhas imagens), deveras elucidativo.

Juro que desconhecia o rigor da duplicidade do nome.

 

"A ambos chamam nêsperas mas, de serem tão diferentes, qualquer um perceberá que devem ser designados de modo diferente, sob pena de não se saber ao certo do que se fala quando se fala duma nêspera.

 

O segundo (as duas imagens de cima) é o fruto da nespereira-da-europa (mespilus germanica), também da família das rosáceas, árvore cultivada na Europa há milénios. Segundo o Grande Dicionário da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, é um “pomo drupáceo, turbinado, verde-acerbo, tornando-se, ao sorvar, castanho, mole e comestível”.

 

 

O primeiro ( a terceira imagem) é o fruto da nespereira-do-japão (eriobothrya japonica), árvore da família das rosáceas que, apesar do nome, tem origem na China. Quando maduro é doce e um pouco ácido. Tem a pele amarela e cinco grandes sementes castanhas. É geralmente conhecida por nêspera mas, provavelmente por não saberem a o que lhe chamar, têm-lhe dado muitos nomes: no Brasil chamam-lhe ameixa-amarela, mas também pode ser conhecida por ameixa-japonesa ou ameixa-americana; nos Açores chamam-lhe mónica; no Norte de Portugal é conhecida por a magnole, magnólio ou magnório. Os franceses chamam-le loquat ou  Japanese medlar, os franceses nefle du Japon, os alemães japanische mispel, os espanhóis nispero japonés ou nispero do Japón

A nêspera, é o fruto da nespereira. Quando está no ponto de ser comida, tem uma textura mole, a sugerir podridão (só a sugerir) e um sabor único, um pouco ácido e a puxar para a maçã. Os caroços são pequenos (quando comparados com o fruto a que outros dão o mesmo nome) e não são lisos, antes pelo contrário. Assim sendo, este pouco têm a ver com os outros frutos a que, em terras com um léxico mais pobre, também chamam nêsperas. Não lhes conheço outro nome. Em Espanha, chamam-lhes nísperas ou nísperos germanicos, ou ainda níspero, níspero europeo, nisperero europeo, miézpola, míspero, míspola, mispolera, néspera, niéspera, niéspola, níspera, níspola e nispolero. Os ingleses chamam-lhe medlar. Já os franceses, conhecem-no por nefle (de néflier, nespereira) ou cul de chien (= cu de cão). Quem quiser plantar a sua árvore, basta procurar na net 'nespereira comum'.

 O outro fruto é o magnório, e nasce da árvore que no Norte de Portugal se chama de magnólio, magnole ou magnoleiro. Magnol é um elemento que aparece na composição de diversas palavras da taxonomia botânica, introduzido pelo fitólogo e monge francês Jacques Plumier (1646-1715), em honra do botânico que primeiro identificou a família das magnólias, o médico e director do Jardin des Plantes de Montpellier, Pierre Magnol (1638-1715). Faz todo o sentido chamam magnório a este fruto. Mas, se lhe quiserem chamar nêspera, façam favor de ser mais rigorosos e dizer nêspera japonesa. Porque a nêspera é a outra.

 

A história da literatura portuguesa teria de ser reescrita, se a Nespereira onde Raul Brandão escreveu as suas obras maiores se chamasse Magnoleiro...

Publicado 24th December 2013 por Antonio Amaro das Neves"

 

Eis pois resolvido um dos meus dilemas, no início de Setembro.

 

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