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DIVAGAR DEVAGAR-2

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Momento Poético - 3

homem agrilhoado.jpg

                                                                             (imagem da net)

 

Homem, mesmo

 

Sentou-se na pedra fria

a contar os horizontes,

nervosismo à flor da pele

lavrando pedras e montes.

 

Crispava os dedos na boca,

roía as unhas de furor,

desnudava os horizontes

co’a fúria do seu rancor.

 

Buscava, no imperceptível

dum além indecifrável,

algo, que na sua vida,

fora peso inolvidável.

 

No tédio da sua angústia

germinavam conjecturas

de infernos multiplicados

na penumbra das lonjuras.

 

Da brancura dos cabelos

pendiam férreas algemas

dum suor que foi sugado

até às gotas extremas.

 

Foge tudo, esvai-se a vida

num erguer de sepulturas

e o homem que foi sugado

arrasta algemas de agruras

 

Ser ou não ser foi um sonho

que a loucura construiu

sobre pérolas e escombros

dum palácio que ruiu

 

Lutar na vida é um logro

quando o homem é a besta

pois a vida só dá gosto

Se um homem for homem mesmo

 

batista_oliveira  - (1975)

Momento Poético - 2

choro.jpg

                                                                                           (imagem da net)

 

 

 

Mulher de olhar choroso,

abre as mãos esqueléticas, vem construir,

neste charco lodoso,

o lupanar das púdicas côdeas,

onde possamos sorrir

ao vendaval das mortes serôdias.

 

Mostra as unhas de nojo

e com elas lacera teus seios de fome…

lança o sangue de rojo,

sobre este pântano de verdura

onde o pão que ninguém come

se faz rosas de ternura.

 

vem comigo sonhar

entre a humanidade que inventei

numa noite de luar diamantino…

vem comigo forjar

Um mundo que sempre desejei…

Um mundo por definir, genuíno 

 

batista_oliveira - (1973)

 

 

 

)

 

 

 

 

 

 

Momento Poético - 1

18094605_GzcIv.jpeg

 

 

 

CREPÚSCULO        

 

Era um incêndio de luz,

no limite da planura.

O sol, ovo de avestruz, 

finava-se na lonjura.

 

Árvores, em contra-luz,

lembram figuras do mal,

fantasmas por trás da cruz,

assombração natural.

 

Longe, pássaros esquivos,

diluídos na paisagem,

permaneciam cativos,

na lentidão da viagem.

 

 

Lá  longe, os sons naturais

de mil gritos sem igual,

a conversa de animais,

num cochicho fraternal.

 

Nas cores do sangue ardente

da paisagem, fica o músculo

que vai morrendo, cadente,

na ternura do crepúsculo

 

Tomba, por fim, no silêncio,

toda aquela vastidão,

a tela torna-se ausência,

espelho de solidão. 

 

batista_oliveira - (2012)

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