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DIVAGAR DEVAGAR-2

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Momento Poético - 13

decoracion-de-cocinas-al-estilo-antiguo2.jpg

                                           (imagem do Google)

 

 

Da parede da cozinha

 

Do tempo

na semântica das paredes da cozinha

ficou a réstia imaculada

duma ausência de tempo

e do relógio recostado.

 

A poeira foi outra ausência

que se tornou capa do relógio

ao longo do tempo

que temperou as paredes

adormecidas na dança das horas

num afago

sem registos das memórias

que ali adormeceram.

 

Tempos houve

em que o tempo ali marcado

foi alvo de olhos apressados

em busca de tempos

perdidos e reencontrados.

 

Do fumo do fogão

da negrura das panelas

volatilizaram-se o aroma

e os sabores

que estranhamente

se entranharam

na dança dos tique-taques.

 

Na textura da parede

ficou agora a memória sombria

de um tique-taque

que marcou mil silêncios

lavrados na fadiga das panelas e tachos

entre vapores aleatórios

saídos do fogo e dos corpos

enleados nos aromas

que o próprio tempo saboreou.

 

Entrando na alma

das  quatro paredes

pressinto o tempo

que goteja da ausência daquele relógio

que carinhosamente  beijava

o quotidiano duma cozinha

que nunca respirou tempos mortos.

 

(batista_oliveira - 2016)

Momento poético - 12

 

letras2.jpg

 

 

Sobrevivo

 

sobrevivo   disfarçadamente

sob a ilusória

opacidade

de um cendal

de silêncio.

 

meus sentidos

trespassam a memória

desse silêncio

e buscam

uma saída para as palavras

que deixei

desenhadas na ausência

de páginas perdidas

em bolsos   cheios de nada.

 

rebusco

no vazio   desses bolsos

os mil poemas   sonhados

gravados   com olhos fechados

e as unhas presas   ao silêncio

de tantas noites

estremecidas   de suores.

 

encontro

na dureza   da mão

uma solidão

lavrada   nos medos

que tornaram

meus poemas

perversos segredos.

 

(batista_oliveira - 2016)

Momento Poético - 11

moon-night-light-path-art-1920x1080.png

                                                              (imagem do Google)

 

Enigma

 

 

Num clamor

quase estridente 

          vagando

          sobre crepúsculos incendiados

grito pelos amanhãs

que restarão 

          de mil rostos pasmados 

especado

          nas emanações

          pendentes

dum tempo

sem ódios

          remanescentes.

 

Apercebo-me

dos fogos fátuos

          disfarçados

          em vultos

que  devoraram

          a precariedade

          da luz matinal

dos efémeros perfumes

que vagueavam

          entre o silêncio

          e a vertigem.

 

Sinto apenas

que depois de mim

          chegarão

          novos clamores

em sarças ardentes

replicando as existências

          que perdi

          dentro

do meu labirinto

de enigmáticos sonhos .

 

(batista_oliveira - 2015)

Momento Poético - 10

semeando palavras.jpg                                             (imagem do Google)

 

 

 

Amanhã

 

Dissipada a poeira,

liberto da consciência

das coisas,

 

já nem sequer

restará

a penumbra

 

da lembrança

que recorde

 

as pegadas

do meu ser…

 

ficarão  dispersas

as palavras

que sementei,

 

sinais

improváveis

de uma existência

 

(batista_oliveira - 2015)

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