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DIVAGAR DEVAGAR-2

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Momento Poético - 23

pontizela.jpg

                                                      (imagem do Google)

 

 

Poema dos amantes

 

Vi-os semi-debruçados nas metálicas

grades da pontizela…

Ele e ela.

 

Permaneciam dissolvidos na romântica voragem do parque

envolto no alcatrão do tempo drogado com estrelas.

 

Furtivos e trémulos os reflexos dourados de estilhaços de luar

salpicavam-lhes os rostos apaixonados.

 

Estrelas pintalgavam a esquálida face aquática,

ornando oníricos minaretes subaquáticos.

 

A negra opacidade da frondosa copa

era majestática umbela verde-ténebra.

 

Cisnes flutuavam altivos na paz do lago,

colhendo beijos perdidos, rasgando a pétrea quietude das águas

onde as argênteas, escarlates e outonais folhas refulgiam

perante o invejoso sorriso da lua.

 

Peixinhos policromáticos ziguezagueavam na mansidão

das águas, entre flores e folhas que lentamente se imergiam.

 

A noite, semi-ofendida, esmagava-os em seus braços negros.

Em simbiose libavam a metamorfose do tempo…

Buscavam o ignoto mistério do erotismo labial e dérmico.

 

Esmagavam o orgulho das pedras extasiadas

com a lubricidade da sua penitência masoquista.

 

Nenúfares convidavam os irrequietos peixinhos

à ternura dum abraço.

 

O vento segredava-lhes, em tonalidade de brisa,

o mais belo segredo da vida ─ Amor.

 

Vi-os semi-debruçados…na pontizela…

Ele e ela.

 

(batista_oliveira - 03/09/73)

Momento Poético - 22

tua nudez.jpg

                                        (imagem do Google)

 

 

 

          Tua nudez

 

Trazias nos teus seios o calor

dos lábios que mil vezes te beijaram

e, na avidez de lúbrico fulgor,

na tua pele nua, repousaram.

 

 

Oculto, havia um rasto de rubor,

cheiro a sémen e orgasmos que exaltaram

o orgulho da volúpia e do amor

que dois corpos, tão belos, consumaram.

 

Trazias o calor dentro dos seios,

na tua pele, o aroma da loucura

que se esparziu no teu corpo, sem freios.

 

Na demanda de laços de ternura,

sem preocupações e sem receios,

mostraste, na nudez, toda a candura.

 

(batista_oliveira - 2016)

Momento Poético - 21

sob pele.jpg

                                            ( imagem da net )

 

 

Sob a tua pele

 

Intactos,

debaixo da tua pele,

rasante

à profundeza dos ossos,

deslizam pensamentos

sem acúleos de cio.

 

É assim

a doçura da poesia

que existe em ti,

das sinestesias

que baloiçam

no teu íntimo

e, em clarões de arrepios,

iluminam a lucidez

dos teus enigmas

quotidianos.

 

O corpo esconde,

dentro da tua pele,

o rio que percorre o teu tempo

e arrasta as memórias

que ficaram sedimentadas

pelo calor dos dias

que aqueceram

o desejo dos corpos suados,

em momentos

que transbordaram

para além da poesia

que existe em ti.

 

Sob a tua pele

fervilham

as ondas líquidas

do tsunami que nos uniu,

numa endecha de vozes

que foram

mais além dos nossos anseios.

 

(batista_oliveira - Julho/2013)

Momento Poético -20

 

 

REFLEXO-ANIMADO-DA-ROSA.gif

         (imagem do Google)

 

 

 Rosa na paisagem

 

 

Nos idos

das primeiras palavras,

chamaram-te rosa.

 

Rosa,  flor

que se despe ao calor,

depois de amanhecer

em gotículas

de eternas manhãs coloridas.

 

No silêncio sentido

do teu perfume,

o amor perdido

nas teias do ciúme.

 

Pétalas soltas,

escamas sobrepostas,

a graciosidade luminosa

para um cendal

do teu nudismo

outonal

 

No coração do teu corpo,

linha curvilínea,

jeito de gineceu

esperando orgasmos matinais,

reside o pólen

beijado pelos lábios

da avidez animal

 

Rosa, irmã doutras

que já o foram,

sonho de namorados,

enfeite de finados,

essência de pecados.

 

Longe dos acúleos,

dançando no vento,

desafiando intempéries,

desenhas tuas cores

na paisagem sem fim.

 

Na tua pureza,

voam silêncios de paisagens

que te sugaram

a imagem

para quadros e tessituras

de efémera eternidade.

 

(batista_oliveira - 2014)

Momento Poético - 19

flor-homes.jpg

                                    (imagem da net - arte de Claudia Ferraris)

 

 

                       (Não podia vê-lo extasiado, mirando aquela flor…)

 

 

Eih!...

Tu que dormes na corola

dessa flor,

desperta que o néctar

também é veneno, dor.

 

Não sentes

que teu sangue se evola

entre partículas de éter?...

E... entrementes,

 

tua vida, olhar-sonho,

imerge-te  no além…

(esse degredo medonho,

província-de-não-sei-quem).

 

(batista_oliveira - 1973)

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