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DIVAGAR DEVAGAR-2

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

GLOSANDO OUTROS POETAS

Hoje lembrei-me de plagiar algum estilo e arte da poetisa e artista plástica Maria João Brito de Sousa, glosando um seu poema (soneto clássico decassílabo). Admiro a excelência e espontaneidade dos seus poemas, com especial apreço pelo belos sonetos. Espero, com a devida vénia e respeito, que me permita a ousadia.

 

 

GLOSANDO MARIA JOÃO BRITO DE SOUSA

ocres e vermelhos1.jpg

                                   (imagem partilhada de Ana Salazar - Twitter)

GENETICAMENTE INSPIRADO

 

Vou pincelando, a ocres e vermelhos,

Este soneto oval que me fascina,

Se engano os meus anseios de menina

Nessa ressurreição de cacos velhos...

 

Desminto a evidência dos espelhos!

Deste enlevo renasço, pequenina,

Nascem-me asinhas de ficção divina

E fico invulnerável a conselhos,

 

Se moldo, pinto, engendro a "obra-prima"

Que vou solicitando aos meus sentidos

Sem que me sinta, nunca, arrependida,

 

Pois, a cada segundo, o que me anima

É toda a profusão de coloridos

Da estranha sensação de criar vida...

 

(Maria João Brito de Sousa - 31.01.2008,  in "poetaporkedeusker")

 

 

SONHOS EM TELA COLORIDA

 

 “Vou pincelando, a ocres e vermelhos,”

As mil palavras que esta vida ensina

E a lúcida memória me destina,

Enquanto meus neurónios não são velhos.

 

“Desminto a evidência dos espelhos!”

Não me deixo encantar pela rotina

Desta vida veloz que desatina

E troca sinais verdes por vermelhos.

 

“Se moldo, pinto, engendro a «obra-prima»"

Que coloco entre os olhos e os ouvidos,

Quase me sinto o rei de toda a vida,

 

“Pois, a cada segundo, o que me anima”

É saber que jamais foram perdidos

Os meus sonhos, em tela colorida.

 

(batista_oliveira – 21/02/2017)

 

 

Momento Poético - 26

punhais isis.jpeg

                                                            (imagem do Google)

 

 

Os punhais de Mossul

 

 

Vejo casais aflitos que se beijam,

entre escaras de dor e desalento,

feridas que não sangram mas aleijam,

trazendo dor profunda, sofrimento.

 

Os olhos se remexem e voltejam,

dançando valsas lentas sobre o vento,

vítreos e baços, lágrimas gotejam,

regando vasos rubros de tormento.

 

Fado sem vida, escoa-se a agonia,

numa guerra que não é de ninguém

mas destrói os pilares da harmonia.

 

Negros são os punhais de cada dia,

ceifando tantas vidas, com desdém,

na chacina que Allah criticaria.

 

( batista_oliveira - 21/02/2017)

 

 

Momento Poético - 25

chuva Taty.jpg

                                        (arte de Tatyana Moskovtsev)

 

Hoje, dia de S. Valentim, decidi relembrar e resgatar da poeira dos tempos um poema que na fogosidade da minha juventude, aos vinte e um anos, dediquei à então minha namorada, hoje esposa e companheira de quase 42 anos. Foi também publicado a 06/04/1974 (tempo da velha senhora) no já extinto "Jornal das Aves" (pertença da também já desaparecida Fábrica de Poldrães, da Vila das Aves).

Nessa altura foi publicado, como alguns outros (proto)-poemas, com o pseudónimo "Danilo Carsay".Parece ter sido ontem, mas a voragem do tempo não contempla imobilismo nem imutabilidade. A cadência vital ressurge, num ápice, mas esfuma-se numa pseudo-lentidão, que nos deixa cada vez mais envoltos na fragilidade da nossa efémera existência. Cada amanhã parece-nos um passado iminente e quase longínquo. Eis pois a minha relembrança e nova dedicatória à sempre jovem companheira deste tempo e do outro.

tatyana chuva.jpg                                             (arte de Tatyana Moskovtsev)

 

 

 

AMO-TE ASSIM

 

Amo-te, assim,

em laivos de fome,

 mulher sem fim,

seiva do meu nome.

 

Amo-te, em força,

anjo de candura.

Sou gamo...és corça...

Somos a ternura.

 

Amo-te, alor

dos beijos perdidos,

 viçosa flor,

néctar dos sentidos.

 

Amo-te, aurora

 das minhas manhãs,

sumo de amora,

rubor de maçãs.

 

Amo-te, auréola

de sonhos felizes,

grácil alvéola

nimbando raízes.

 

Amo-te, amor,

princípio e fim...

Sangue e calor

por dentro de mim.

 

(batista_oliveira - 1973)

 

Momento Poético -24

corpo inerte.jpg

                                                      (imagem do Google)

 

Corpo inerte

 

Na galáxia

do teu olhar,

existem um brilho e uma luz

que me chegam

tardiamente,

nas horas do remanso.

 

 

As estrelas

e as tardes

apagam-se, nas margens do teu corpo,

e deixam marcas

injustificadas

da lucidez que te hibernou.

 

 

O teu corpo,

em funesto delíquio,

abandonou o mundo

sem rumores

de silêncios

abafados e sonâmbulos.

 

Na fluidez baça

das mil penumbras

que velam teu corpo inerte,

existe o signo

da eternidade dos mundos

prometidos, ao desbarato,

 

pelos predadores da fé

romântica e cega.

 

(batista_oliveira -2015)

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