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DIVAGAR DEVAGAR-2

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Momento Poético - 30

Hoje vou reblogar e relembrar os meus tempos de juventude, com um poema que publiquei em 09/03/74 (ainda tempo da velha senhora) no já desaparecido "Jornal das Aves", com outro pseudónimo já referido.

Fi-lo, pensando naqueles que um dia foram senhores de um reino e poder, mas que, mercê do seu desatino, tudo perderam numa autêntica vida de libertinagem e desaforo. Conhecemo-los...andam por aí, ainda hoje, viajantes do triste fado, passageiros de ventos e tempestades, heróis de contos cor-de-rosa-desmaiado...super-homens que viraram infra-homens...

 

pedinte1.jpg

                                                   (imagem do Google)

 

 

EI-LO QUE AVANÇA

Ei-lo que avança...
Lua nos olhos,
lábios em dança,
cérebro aos folhos.

Traz mil canções
na cárie dos dentes
- gritos e orações
aos deuses cadentes.

Trinca o cigarro
nos lábios crestados,
segura o catarro
nos dentes cariados.

Urtigas, no peito,
cobrem cicatrizes
dum sonho, desfeito
entre meretrizes.

Traça, sem giz,
no tempo em dança,
o esboço-raíz
dum sonho-esperança.

A lua dos olhos
perde o seu brilho,
entre os escolhos.
Não deixa rastilho.

Seu sonho desfeito
é vento à deriva
- dilema, preceito,
antraz, chaga viva.

Seu sonho-esperança
esvai-se em lume,
torna-se dança
dum saco de estrume.

Ei-lo que avança...
É Rei deposto,
sem ceptro, sem lança,
com lama no rosto.

(batista_oliveira - in "Jornal das Aves" de 09/03/74)

Momento Poético - 29

 

 

Levasseur10.jpg

(imagem do Google)

 

A erupção da poesia

 

algures,

nos meandros de silêncios

rebatidos em sequências de algoritmos temporais,

havia uma sonoridade

que fugia aos padrões

das vozes perdidas

nas intermitências vulneráveis

da surdez colectiva,

talvez um grito apelativo,

um rasgo de medo

gerando conflitos inesperados.

 

sem data, sem hora de parto,

o fio sonoro

rompia a lenta agonia

de mais um dia sem história

e todos clamavam o protagonismo

de tantas ondas

de silêncio quebrado,

numa valsa partilhada

pela fusão dos corpos

vadios de ociosidade.

 

existia um ápice sonoro

rebuscado

entre os meandros do silêncio

que lascivamente se abandonava

numa queda lentificada

de desejos conspícuos.

 

no ar

havia uma quase sinfonia

de palavras que se cruzavam

e tocavam levemente

deixando um rasto

de sonoridades suaves

que simulavam

explosões de ideias e poemas,

 

em tracejados enigmáticos,

num transe inolvidável

de poesia em erupção.

 

(batista_oliveira - 09/03/2017)

Momento Poético - 28

alquebrado.jpg

                                          (imagem do Google)

 

O peso sobre os ombros

 

Já não consigo esquecer

o peso laminar e cortante

de tantas manhãs

que me afagaram o dorso

e me pesaram da cabeça aos ombros

perdendo-se

no cansaço desarticulado dos membros.

 

As ideias fluem líquidas

de sangue fervilhante

e as veias retorcem-se

na avidez da retoma dos fluidos.

Não existem palavras

que reinventem

os medos que se infiltraram nos poros

e marcaram os limites da sudorese suspensa.

 

Há sempre

uma janela que resta entreaberta

deixando filtrar

a luminosidade

das memórias esgotadas

na canícula dos desejos rejuvenescidos.

As facas ainda mostram

os resquícios da carne sem sabor

exalando a fetidez da infecção amorosa,

das lágrimas translúcidas

do sofrimento desejado

 

Na doçura friável do barro

moldado por angústias e alucinações

descansa a cinérea poalha do tempo

que tanto me pesou sobre os ombros.

Estanque, a memória

repudia qualquer sacrifício de boa vontade

e afasta o enigma do tempo perdido

na transparência dos desejos.

 

(batista_oliveira - dezembro/2016)

 

Momento Poético 27

SOLIDAO.gif

( imagem do portal sapo)

 

NO SILÊNCIO DAS PALAVRAS

 

No silêncio obtuso

das palavras

existe um universo

cortante e confuso

em que só cabem

poemas inacabados

menores que a réstia

de vida

que nos sobra.

 

Existe o som

sibilante da ventania

que remexe

a nossa imaginação

e procura os meandros 

de mil sonhos estiolados.

 

Existe a profundeza

dum longo fechar de olhos

onde a nossa surdez

rebusca acúleos

duma realidade adormecida

na putrefacção dos sentidos.  

 

Existe o medo

de falhar a construção do poema

de acicatar o sentido

das frases envenenadas

na impudicícia

de costumes refreados.

 

(batista_oliveira - 06-10-2015)

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