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DIVAGAR DEVAGAR-2

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Momento Poético - 38

 

love verde.jpg

                                        (imagem do Google)

 

 

Verdes, no verde

 

Sonhávamos

a relva fria do estio,

o mistério verde dos sentidos pendentes.

Nossos corpos soltos,

em suave dolência de rústica paz,

mitigavam o calor, minuto a minuto escorrido.

No frenesi do movimento,

as copas dos castanheiros da índia revoluteavam

sem jamais se estatelarem sobre nosso fogo.

Balançávamos a inércia dos olhos

semi-hipnotizados, em cada nervura folicular,

geometricamente talhada.

Era um estilicídio verde,

de verdes paraísos,

que nos aspirava no rodopiante tufão

das glaucas vertigens.

Não existiam bancos de jardim

respirando namorados,

não havia parque infantil

volatizando infância, em cada palmo de areia.

Éramos sós,

apenas verdes, entre a verde grama.

Erguiamos, cubo a cubo,

a infância que ontem se houvera desfeito

nos alucinados inter-espaços

das nossas harpas digitais.

Furtivos e distantes,

eram os metálicos olhares dos outros,

que se esfumavam

na verde, umbilical vertigem

que nos unia.

Éramos a relva,

a verde calidez corporal,

o verde pomo de sabor etéreo.

Éramos

Verdes, no verde.

 

(batista_oliveira - Julho/1974)

Momento Poético - 37

 

lost_love.jpg

                                                  ( imagem do Google)

 

 

Vã esperança, amor perdido.

 

Aquela chama que em meu peito ardia,

único sinal da minha esperança,

esvaneceu-se neste mesmo dia,

roubando-me da mente essa lembrança.

 

Nessa chama, que há pouco refulgia,

tinha depositada a confiança,

mas nunca me lembrei que neste dia

também se esvanecesse essa lembrança.

 

Aquele amor tão terno que senti

quando pela primeira vez a vi,

jamais na minha vida esquecerei!

 

Aqueles dias ternos que vivi,

que nunca esquecerei, nem esqueci,

fazem-me recordar quem tanto amei!...

 

(batista_oliveira - 19/05/1968)

Momento Poético - 36

mirar.jpg

                                                                  (imagem do Google)

 

 

DEVANEIO

 

 

Mil vezes

teria preferido

sugar o aroma,

o sabor da brancura

de teus dentes.

 

Na minha memória

restaria inocente

o rumor do esquecimento

de teus lábios,

do teu nefando rosto.

 

Miro-te,

no equinócio da tua boca,

como se fosses

o brilho de meus anelos,

suave cais

dos meus sonhos.

 

O gume do tempo

apagou da memória

teu nome,

numa floresta

nimbada de imagens.

 

O sabor da tua boca

ficou, como

espinho, cravado

nas águas

das minhas recordações

 

(batista_oliveira - 28/07/15)

Momento Poético - 35

contraluz.jpg

                                        (imagem do Google)

Inapagável presença, fruto de tantas ausências

 

Passo pelas esquinas de muitas ausências, mas nunca me esqueço das sombras que deixei presas a tantas penumbras de passados inapagáveis.

 

O fluxo, através das margens que estagnadas parecem, não me deixa estacado na profundidade do quase esquecimento temporário, de quem nunca se demora abandonado nas imagens reflectidas da sua contra-luz.

 

Ultrapasso a essência desses reflexos impalpáveis e quedo-me na interiorização dum ego quase absoluto. Absoluto no desejo e na esperança dos amanhãs que vogam na voragem dum tempo indizível, instável e repetitivo.

 

As minhas sombras de ontem, empapadas nas incisuras graníticas dum tempo iterativo, deixam laivos de mim, para tantos como eu que só reparam nas sombras dum futuro indecifrável e ignoto.

 

A minha bola de cristal nada me diz de mim, nem das minhas sombras e penumbras, mas deixa-me antever um futuro que, por cinética inevitável, é fruto de uma lenta valsa de construtores de mortes inadiáveis, num cemitério desde sempre anunciado.

 

Buscando, já não rebusco os arquétipos que argonautas do impossível tentaram erigir sobre margens de luz e infinito, sem alicerces.

 

Morro, como todos, uma infinitésima parte da minha existência, em cada segundo de Cronos adormecido.

 

Se algum dia acordar deste Tanatos inevitável, chegarei com certeza à Domus deificada de Penates renascidos e da Fénix retornada.

 

Retornada e renascida de cinzas etéreas, a minha ausência será marco indelével duma inimaginável e fantasmagórica presença.

 

 

(batista_oliveira - 07-08-2007)

Momento Poético - 34

aurora.jpg

                                                  (Foto da chinesa Stephanie Ye)

 

 

 

No horizonte das auroras

 

No horizonte das auroras,      

existe um cheiro a pássaros dormentes,   

insectos sem futuro

e esmagados silêncios.

 

A luz  subalterna

crispa-se no silêncio do deserto

e, no solo, desenham-se

os traços de serpentes vadias.

 

Não há frutos maduros

e ouve-se o doce estilicídio

do orvalho matinal,

em plangente agonia.

 

Insone, a paz ergue-se,

em sombras e penumbras,

num vazio sem fronteiras

entre nadas e raios de luz

 

No longínquo horizonte

amadurece o fruto da memória

e desenham-se poentes

dum passado sem história.

 

Restam inermes as cinzas

das palavras que foram poemas

e aguardam ventos ocultos

no horizonte das auroras.

 

 

(batista_oliveira -12-01-16)

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