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DIVAGAR DEVAGAR-2

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Momento Poético - 42

Magritte - quadro.jpg

                         (arte de Rene Magritte)

 

Nós somos…

 

Nós somos…

O fruto maduro

que se esborracha…

Côdea de pão duro

que ninguém racha…

Árida cisterna

ávida de água…

Escura caverna,

antro de mágoa…

Filhos do silêncio

e solidão…

Momento de ausência

e retracção…

Angústia de instante,

vã ilusão…

Sol-posto a levante,

contradição…

Mistura de nada

com quase tudo…

Face camuflada,

rosto de entrudo…

O puro dilema

da criação…

Eterno problema

sem solução…

 

(batista_oliveira - 29/03/73)

Momento Poético - 41

sofrimento.jpg

                                 (imagem partilhada do Google)

 

 

REPENTINAMENTE                    

 

 

Repentinamente,

a náusea deslizando

            ao sabor das unhas,

num descalabro de dor

transversal ao corpo inerte,

            tangencial à morte.

 

            Dentro da alma,

um vórtice de loucura,

            o escape à verdade,

            ânsia de ilusão.

 

Dentro do peito,

um turbilhão de sentimentos,

            a perda da memória

            dum tempo que o não foi

mas deixou sequelas de dor.

 

Repentinamente,

num ápice de existência banal,

o clímax do sofrimento,

            o desafio final,

numa prece sem deuses…

 

Repentinamente…

          Sem resistência,

a nebulosa razão

          da nossa existência.

 

(batista_oliveira - 20/06/2017)

Momento Poético - 40

d quixote.jpg

 (imagem partilhada do Google)

 

 

HOMENS

 

Homens!

Bloco de ilusões varando a realidade

com gumes de pranto

e lascas de espanto.

 

Homens!

Dilúvio de sangue, sem arca de Noé,

afogando dores,

estiolando flores.

 

Homens!

Aves de rapina, sem ninhos nas rochas,

com penas-panfletos

nimbando esqueletos.

 

Homens!

Estátuas paradas, em ruas desertas,

ocupando espaços,

com armas nos braços.

 

Homens!

Penas levadas por rajadas de vento,

semeando agruras,

criando torturas.

 

Homens!

Carrascos ocultos, no caos dos patíbulos,

beijando enforcados,

com olhos danados.

 

Homens!

Flores de negrume, em jardins de traição,

enfeitando leiras,

sujas de caveiras.

 

Homens!

Máscaras de fantoches embasbacados,

ocultando, a medo,

o horror dum segredo.

 

Homens!

Seres...animais...apenas homens!

Reais ou irreais...

Homens...nada mais!

 

(batista_oliveira - 15-03-1973)

Momento Poético - 39

           

lagrimas.jpg

                                               (imagem do Google)

 

Senhora de tantas dores

 

Senhora de tantas dores,

não vertas lágrimas fúteis

no gomil das tuas faces.

Sob o lençol dessas flores,

teus gritos soam inúteis!…

 

Ah! Se não abandonasses

teu filho, ainda menino,

hoje talvez não chorasses

os caprichos do destino!

 

Senhora de tantas dores,

rasga a tumba com os olhos,

dá liberdade ao teu filho…

Arranca as flores, (não chores!)

guarda-as no regaço, aos molhos…

 

Cada flor é uma gota

do sangue desse teu filho

e lembra a imagem remota

dum ser que foi maltrapilho!...

 

Ah! Se o túmulo se abrisse

e, em vez do esquife cativo

na escuridão, te surgisse

o filho morto, já vivo!...

 

(batista_oliveira  - 20/02/1973)

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