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DIVAGAR DEVAGAR-2

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Momento Poético - 45

 

ilusione.jpg

                                             (imagem partilhada do Google)

 

Ilusão de viver

 

 

Diluído na própria sombra

sem afectos visíveis

de alma transparente e corpo inerte

disfarcei-me

na planície de ninguém

longe de vivos e mortos

à espera de ressurreições adiadas.

 

O silêncio morava no infinito

incolor

no reino dos sonhos repetidos

na perversão de escrever em tábuas rasas

com palavras funâmbulas

por inventar.

 

Morria-se de tédio

contra as paredes da solidão

na tentativa de perscrutar

a ausência do vento

e da natureza inebriada.

 

Embalsamado

no esquecimento de mim e dos outros

soletrava haikais imaginários

envolto na secura dos cactos da memória.

 

Os rios de loucura

invadiam as margens do silêncio

e deixavam transbordar

a perversidade duma vida de ilusão.

 

Já não havia gaivotas

que rasgassem o pôr-do-sol

nas vísceras de tanto peixe ressequido

que gritassem

contra a garganta das sirenes marítimas

contra o carpir das vagas revoltas.

 

Da procela

salpicavam restos

da alma dos tubarões saciados

amálgama de maresia

perdida em desejos

de aventuras falhadas.

Tudo

na perversa ilusão

de viver

no vazio do sofrimento.

 

(batista_oliveira -19/04/14)

 

Momento Poético - 44

anoitecer.jpg

                                         (imagem partilhada do google)

 

Noite pacífica

 

 

É noite. O sol sumiu p'ra além dos montes.

Aos seus ninhos os pássaros voltaram

E os fios de água das límpidas fontes,

Ao luar, são cristais que ali brotaram.

 

Fluidos, os raios da bela Diana

Reflectem a luz nos viçosos prados

E a água dos riachos logo emana

Seus raios frescos e cristalizados.

 

Foge o astro saudoso e tudo cala.

Mergulha-se em profunda solidão

E em toda a parte reina a escuridão.

 

Com a noite também minha alma triste

Se aprofunda no fogo da paixão

Que noite e dia me rói o coração.

 

(batista_oliveira -03/03/1966)

Momento Poético - 43

 

ardina.jpg

 (imagem partilhada do Google)

 

O pobre ardina

 

Envolto num farrapão,

estrada fora, descalçado,

triste, sacola na mão,

vai um ardina apressado,

tentando ganhar o pão

com que seja alimentado.

 

 “Olha o Comércio, Janeiro,

Notícias! Quem quer comprar?”

Grita o ardina lampeiro

junto da porta dum bar,

fugindo dum aguaceiro

que começou a tombar.

 

São raros os viandantes

que vêem o pobre ardina.

Passam muito caminhantes

em frente daquela esquina,

mas não ouvem, ou antes,

não dão esmola ao ardina.

 

Vai prá frente da vitrina

da rica pastelaria,

onde uma bela varina

lhe sorri com alegria.

E fica ali esse ardina

vendo a montra luzidia.

 

Triste destino é o seu,

andando de rua em rua,

com os pezitos ao léu

e passando fome crua!

A sua vida é o céu

E aquela pequena rua…

 

(batista_oliveira -05-08-1968)

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