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DIVAGAR DEVAGAR-2

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Momento Poético - 52

poeta de Fco. Javier Rodriguez Rodriguez.jpg

                                                   ( pintura de Javier Rodriguez) 

 

O sonho inacabado do poeta

 

na longa e libidinosa curva do silêncio

onde

quase toda a vida se converte em luz 

e o amor se transforma em tempestade

jaz a pedra da solidão

que o poeta trazia no pensamento

antes da sua existência.

 

nessa curva

deslizam poemas

que entram no osso dos desejos

e desembocam na salivação das palavras

que volitam entre as incisuras

da sensibilidade timpânica.

 

ouvem-se mensagens voláteis

que dançam entre fios de luz

e se acendem como mil sóis

e gemas incandescentes

libertando miríades de borboletas vadias

e inventando

em cada batimento de asas 

poemas esparsos

que não cabem

na imaginação e  pensamento do poeta.

 

a cidade resplandecente

dorme embrulhada no silêncio

e ouvem-se as flores

grávidas de pólen

explodir ao som ridente

da lua imperfeita

numa vénia de sacrifício e submissão

perante a quietude milenar das estrelas.

 

na doce e silente nostalgia

a pedra da solidão

que o poeta trazia no pensamento

antes da sua existência

também se converte numa explosão de luz

numa tempestade de amor

e mil poemas gravitam

à volta da torre de marfim

que guardava

todas as palavras do seu sonho inacabado.

 

(batista_oliveira - 26/09/2017)

Momento Poético - 51

solidão e flores.jpg

                                                 (imagem do Google)

 

A solidão e as flores

 

 

as flores não inventaram a solidão

nem a solidão inventou as flores

nem as flores vivem da solidão

nem a solidão vive de flores

todavia reinventamos as flores

de forma imprecisa

enquanto a solidão devora

a própria seiva oculta das flores

e das suas cores.

 

a solidão não pede perdão às flores

por lhes devorar a seiva e a cor

porque se lhes pedisse

esse perdão seria

um acto meramente suicida

e eu nunca presenciei o suicídio da solidão

embora ele possa existir.

 

na forma e cor das flores

a solidão não se reinventa

porque seria novo suicídio

e o perfume das flores bastaria

para aniquilar a solidão.

 

creio mesmo

que não há solidão junto das flores

senão questionaria 

a verdadeira  razão da existência das flores.

 

 

o aroma a cor e a forma das flores

no seu todo

desvanecem a lucidez inquieta  da solidão

e por vezes

parecem impedir-me

de me tornar e sentir um deus.

 

se vires a solidão

marchar triunfante

como os cavalos de Waterloo

lança-lhe flores

e verás

que a solidão

na leveza do seu desespero

cometerá um acto suicida.

 

flores e solidão

vivem numa antítese existencial

entre escombros

de isolação e de  fragrância

divagando

na ilusão da eternidade.

 

(batista_oliveira -19-09-2017)

Momento Poético - 50

paisagem verde.JPG

                   (imagem partilhada do Google)

 

 

Na estranheza da paisagem

 

Hoje na estranheza da paisagem

há sempre um pássaro

que rasga o cendal etéreo da luminosidade astral

e desaparece entre as nervuras do cerúleo espaço

numa lenta valsa de sopros alados;

há sempre uma flor

que exala seu perfume

nas asas das mariposas e libélulas vadias;

há sempre o verde imaturo

e braços de glaucas folhagens

reclamando os raios de sol

que se dispersam

na breve humidade matinal

dos musgos e líquenes;

há sempre o silêncio gritante

abafado pelo marulhar das águas dos riachos

que se estatelam nos açudes

de memórias ancestrais

memórias duma longínqua raça paleolítica;

há sempre alguns sons

que arrastam palavras invisíveis

e fumos de mensagens seculares

que só agora se iluminam no espaço campestre

sinais do adeus aos mortos

que se volatilizaram sobre piras

de saudades e lágrimas enquistadas;

há sempre frígidas sombras e penumbras

que se esgueiram

nos interstícios dos harpejos lunares

á espera de crescentes e minguantes desesperados

na tessitura das nuvens negras

de tantas noites de estrelas

abafadas no medo da escuridão;

há sempre pensamentos

e memórias perdidas no amplexo selvagem

da natureza agreste

resquícios de dolorosa solidão

e gritos dispersos nas pradarias silentes;

há sempre a imagem do homem

que mira o firmamento

na esperança de acolher algum deus

caído das naves divinas

criadas na tortura da sua imaginação.

 

E eu

na estranheza da paisagem

sem asas angelicais

esquecido de mim e dos outros

numa simbiose abstracta

com ecos imperceptíveis

procuro a harmonia do mundo

e os seus enigmas

confundindo a paisagem

com o meu corpo ali suspenso

à espera

que voltem os deuses da música e do riso

envoltos num poema épico

que faça resplandecer

o meu  regresso à realidade.

 

(batista_oliveira – 12-09-2017)

Momento Poético - 49

mujerdesnuda1.jpg

            (Arte da pintora chinesa - H. Momo Zhou)

 

 

A linha sensual

 

Ainda me dança

nos meandros da memória

a linha curva e entrelaçada

das tuas formas sensuais

carimbadas

na tua pele

as manchas dos meus dedos

o suor colado aos poros

os odores

perfumados e artificiais

que se misturavam

com o aroma do teu cio.

 

Recordo as máculas

matizadas pelo fulgor

dos beijos

esparsos nas contracurvas espiraladas

do teu corpo

em cada mamilo

da cor do desejo

laivos suculentos

da lascívia salivar

o início

da estrada de prazer

que acabava

no estertor orgástico

de gritos selvagens.

 

A linha curva e entrelaçada

serpenteava

na vastidão de mil desejos

ao ritmo sensual

das ondas cerebrais

alimentando

a sofreguidão devastadora

dum corpo

em delírio gemente.

 

Hoje

repenso e desatino

ansiando

o reverdecer dos mil beijos

que te semeei

entre o calor dos dentes

e a ebúrnea beleza

do teu rosto.

 

Na memória

ficou-me

a fértil semente

das minhas lembranças

mas perdeu-se

o teu nome

imerso na babel

da linha curva e entrelaçada

das tuas formas sensuais.

 

Espero

sem desespero

desenlaçar-me

da intrincada teia

e desfiá-la

entre os dedos

deslisando-a

entre os lábios

e saboreando

o prazer do corpo

que outrora

me entregaste

com a luz de mil luas

e o calor

de outros tantos sóis.

 

(batista_oliveira - 06-12-2016)

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