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DIVAGAR DEVAGAR-2

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Momento Poético - 67

 

fotoTETE.jpg

                                               (foto de minha autoria)

 

 

 

A mulher que ainda és

 

 

Trazias nos mamilos escorrências

da fome que teus filhos te deixaram.

Marcas de sangue    luz que entranharam

no teu coração    leito de vivências.

 

Hoje    nas minhas mãos    tornam-se essências

que escorrem nos meus lábios    onde param

fruto de tantos beijos que afagaram

da fome mamilar    tanta apetência.

 

Na doçura dos seios mora um rio

que desliza nas margens do meu corpo

desaguando  na nudez do cio

 

que te percorre a pele    lés a lés

na avidez da ternura do meu corpo

e mostrando a mulher que ainda és.

 

(batista_oliveira, - 30/01/2018)

 

 

 

Momento Poético - 66

magritte.jpg

                                   (pintura de Rene Magritte)

 

 

Ah! Se eu vivesse de verdade…

 

 

Finjo viver…

(Ah! Se eu vivesse de verdade!...)

 

Talvez…Talvez…

 

Talvez as pedras se rissem

das gélidas carícias da minha sombra…

 

Os gigantescos pinheiros fendessem

o hímen azul

que, sarcasticamente, em risos de sol,

desafia o sémen da terra…

 

As fontes, eternamente gemebundas,

abandonassem seu estilicídio plangente

e viessem, (ah! E isso seria o ideal!...)

sorver as eternas lágrimas

Que brotam rebeldes dos olhos de fome…

 

Os uivos e gritos selvagens retumbassem

nos tímpanos de sono e embalassem,

em suave psicadelismo, os sonhos infantis…

 

As aves submergissem nas águas dos charcos

e, nas profundezas de silêncio,

construíssem minaretes de PAZ ETERNA…

 

Os homens fossem HOMENS DE VERDADE

e secassem de espanto nas ruas,

fingindo de estátuas-espias e procurassem,

em simulacro, desvendar a REALIDADE DA VIDA em mim…

 

(Ah!se eu vivesse de verdade!...)

 

 

(batista_oliveira, 02-02-1973)

 

Momento Poético - 65

normal_Grimshaw-Atkinson-The-Old-Hall-Under-Moonli

                                            (Pintura de John Atkinson Grimshaw)

 

 

 

Memória das noites

 

Difusas

no plasma de vidas infindáveis

havia as vozes indeléveis

do metal cadente

das memórias perdidas.

 

Nos vapores da escuridão

arrastavam-se sonoras

contra as gargalhadas

e o balancear das cadeiras

que restavam na sombra

que o corpo aí deixou

entre os esqueletos cansados

que se desprenderam

da vida que ali abandonámos.

 

Cheirava a pele

cansada das labutas ciclópicas

travadas no quotidiano

das nossas quiméricas esperanças.

 

Sofríamos

a impressão do fumo

que soltámos da carne seca

que mascávamos diariamente

como alimento cozinhado

na quietude das horas de ponta.

 

Os cheiros cresciam

como o hálito das noites

cobertas de estrelas famintas de luz

e ficávamos estupefactos

perante o marulhar

das falenas e corujas

que bebiam

os rastos dos cometas vadios.

 

As noites

não se alimentavam apenas

do nosso cansaço

esboroado em leitos de suor e esperma

comiam-nos os sonhos

e amaciavam os roncos

e o bruxismo das nossas desgraças.

 

Quando a lua brilhava

à desgarrada com as fogueiras

alimentadas por riso dos lobos

o luar era sangrento

e rastejava nas planícies

à espera de chacais disfarçados de hienas.

 

O silêncio dos pássaros

contrastava com as vozes indeléveis

do metal cadente

das memórias perdidas

e o grilar cortante e cadenciado

marcava a sonoridade ritmada

dos passos negros dos bichos danados

e das almas penadas.

 

(batista_oliveira,  07/06/16)

 

Momento Poético - 64

luar sebastian Pether.jpg

                             (pintura de Sebastian Pether, artista inglês –1790 -1844)

 

 

(Como também se vive de lembranças, vou publicar, pela primeira vez, aquele que foi o meu primeiro soneto conseguido. Tinha ainda 13 anos nesta data - 03-03-1966 - e estava no seminário beneditino de Singeverga. Apesar de não ser perfeito, achei que reunia alguma qualidade, para um puto daquela idade, pelo que... compartilho convosco)

 

Noite pacífica

 

É noite. O sol sumiu-se além dos montes.

Aos seus ninhos os pássaros voltaram

E os fios de água das límpidas fontes,

Ao luar, são cristais que ali brotaram.

 

Fluidos, os raios da bela Diana

Reflectem a luz nos viçosos prados

E a água dos riachos logo emana

Seus raios frescos e cristalizados.

 

Foge o astro saudoso e tudo cala.

Mergulha-se em profunda solidão

E em toda a parte reina a escuridão.

 

Com a noite também minha alma triste

Se aprofunda no fogo da paixão

Que noite e dia me rói o coração.

 

(batista_oliveira - Singeverga, 03/03/1966)

Momento Poético - 63

IMG-53260.JPG

 

(Relembrando um poema dedicado à minha actual esposa, que havia conhecido cerca de dois meses antes - 24/12/1972. Nessa altura ela usava aqueles belos totós, observados nesta foto, já maltratada pelo tempo).

 

Tu…

 

Tu…

que me cativas

em chagas vivas…

Que me sorris

em rasgos subtis…

 

Tu…

Que me atrais

com olhos-metais…

Que me hipnotizas

em clarões de brisas…

 

Tu…

Que procuras

amor nas loucuras…

Que buscas prantos

com olhos-quebranto…

 

Tu…

Rubro cacto em flor

com acúleos de dor…

Coração de bruma

com sangue de espuma…

Instante de ilusão

com verdades na mão…

Favo multicolor

com pingentes de licor…

Ânsia de fartura

sabendo a côdea dura…

Seiva de raiz

vertida em gomis…

Sabor a centeio

com suor de permeio…

Mímica de danças

com rubis nas tranças…

Amor que anseio

na liberdade sem freio…

 

Tu…

Amor extasiante…

Angústia de instante…

Querer sem medida…

Sangue sem ferida…

 

Tu…

Retira

a pira

do teu lume

e ciúme…

Afaga

a chaga

que me dói

e corrói…

─ Coração ferido,

de amor perseguido.

 

(batista_oliveira - Negrelos, 14/03/73)

 

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