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DIVAGAR DEVAGAR-2

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Momento Poético - 71

Salvador Dalí.jpg

                                                                  (pintura de Salvador Dali)

 

O Tudo e o Nada

 

 

Antes de ti…

já o verbo se havia tornado homem

                        mas tu já eras o meu sonho de mulher

 

já as lágrimas corriam no vale da morte

                        mas tu já eras rainha da minha vida

 

já as águas drenavam na vertigem do mar

                        mas tu já vivias nas entranhas da terra

 

já o amor se esparzia na lonjura dos sonhos

                        mas tu já eras minha realidade

 

já os dias da ira viravam pesadelos

                        mas tu já eras rainha dos meus sonhos

 

já a morte reinava no ódio dos povos

                        mas tu já eras o amor da minha vida.

 

Antes de ti…

já sonhava um depois de ti

                        mas a vida não era de amanhãs

 

a memória do tempo já existia

                        mas a memória de ti, ainda florescia

 

já se adivinhava o nosso futuro

                        mas o passado seria um mistério

 

já Prometeu roubara o fogo

                        mas a luz há muito brilhava

 

já Pandora abrira sua caixa

                       e a raiz do mal já respirava

 

já muitos “antes” existiram

                        mas o “depois” seria o “antes” doutros “depois

que em tácito silêncio se fundiram.

 

 

Antes de ti…

o  infinito e o vácuo já existiam

                        mas ninguém sabia nada do tudo

                        nem tudo sobre o nada.

 

(batista_oliveira - 04/07/2017)

Momento Poético - 70

         mariabuzio.png

                                (imagem partilhada do Google)

 

Memórias de um búzio

 

 

Por detrás da porta dos meus anseios de criança

jazia um búzio que encontrei e guardei na memória

duma infância vivida entre acúleos de dor

e o prazer que exalava das buganvílias dos meus sonhos.

 

Colei-o na ansiedade dos ouvidos

e escutei

entre a bonança de tantos silêncios

que sem glória me viram nascer  crescer e florir

uma canção

 

que me ciciava as libidinosas curvas e contracurvas

das ondas do mar

o sabor do salitre envenenado e dos limos

 

que me sussurrava a longa história

desse mar aberto de silêncios e gumes de espuma

exalando aromas de sal e sargaços.

 

que me recordava as noites de bruma

e a boémia contradança das areias e do vento

desfazendo-se em abraços

às lapas e mexilhões que

na avidez de cio marinho

beijavam a rudeza da penedia.

 

Na dolência sonora

ouvia-se o piar duma gaivota

chorando a verde maresia dos seus olhos

na lassidão soturna dum casco de traineira

que moribunda se embalou em negra  rota

na busca imaginária de piratas e sereias.

 

Bem juntinho aos ouvidos

contava-me que a pérfida sageza das sereias

rasgou de traição o coração dos pescadores

que por elas ensandeceram de amores.

 

Ébrios de ilusões

foram sugados pelas entranhas das  areias

afogados em sonhos que falavam de canções

de palácios e tesouros marinhos

promessas de peixes dourados

imergindo no silêncio dos abismos

na torre de marfim dos insondáveis mistérios

 

No búzio

que resguardei num cantinho

da minha memória infantil

cofre de mil questões sem respostas

buscava muitas vezes o som dos cânticos alados

o marulhar das ondas do meu espanto

em praias de areias sem fim,

como criança feliz

embalada nos braços dos deuses.

 

(batista_oliveira - 30/01/2015)

Momento Poético - 69

 

 

obras_de_arte_amor_6-henri toulouselautrec.jpg

                                              (pintura de Henri de Toulouse-Lautrec)

 

                              (Hoje, dia de S. Valentim, vulgo, dia dos namorados, não queria deixar passar a oportunidade de prendar a minha eterna namorada - a minha esposa que conheci há pouco mais de 45 anos. Dedico-lhe um poema que escrevi precisamente no mesmo dia, mas do ano de 2000)

 

Erótica

 

 

 

Na praia   do teu corpo    me espraio

rubro   em fogo   deliro   desmaio

lâmina de silêncio   me esqueço

nas brasas do teu fogo    me aqueço.

 

Dou-me   dás-te   vivemos calor

rasgamos   duas sombras   de amor

vivemos   realidade abrasiva

metálicos gonzos   locomotiva.

 

Pomos de leite   vamos  

                      na espuma azul   deleite

e mudos   recitamos:

                      amo   amarei    amei-te.

Beijos   soam metálicos 

                       ecoam   clausurados

entre fervores siálicos  

                       sons aromatizados.

 

Olhamo-nos   silentes  

                      nenúfares   vogando

num sonho   doce e brando 

                     de mil fogos   ridentes.

Trespassamo-nos    lume 

                      acúleo   sem espinhos

arroubo de carinhos 

                      espada   falo   gume.

 

Lago de suor   libamos delícias

no silente festim   de impudicícia.

Na morte dos sentidos   vogamos

ao rufar de nirvanas   sonhamos

 

o  doce de profundis   da vida

em cada amanhã   hoje vivido.

Eróticos   sensuais   chama de aço

construímo-nos   um corpo    um abraço.

 

Mudos   nos habitamos 

                      velozes   no infinito

de sermos um só grito

                      que   no horizonte alamos.

O hálito   do abandono 

                      volatiza-se   exangue

nas fímbrias   dum outono 

                      rito do nosso sangue.

 

(batista_oliveira – 14/02/2000)

Momento Poético - 68

cabelos.jpg

              (foto de batista_oliveira)

 

 

 

Beijo guloso

 

Trazias no cabelo o aroma intenso

sensualidade orgástica dos beijos

que se perderam    plenos de desejos

nas ondas do teu corpo    mar imenso.

 

Suavemente meus dedos    num pretenso

afago e titilar    em doce harpejo

buscavam    num silente e doce ensejo

o prazer do teu cio hipertenso.

 

Trazias doce aroma no cabelo

tranças soltas    de amor entrelaçado

que encostavas no peito    com desvelo

 

e pedias-me um beijo arrebatado

que eu    guloso    tentava    com anelo

eternizar    até ficar cansado.

 

(batista_oliveira - 06/02/18)

 

 

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