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DIVAGAR DEVAGAR-2

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Momento Poético -74

 

 

Andre Kohn.jpg

                                                         (Pintura de Andre Kohn - "The Kiss")

 

 

Beijos eternos

 

 

No silêncio de mim    pensei em ti.

Sabia donde vinhas    dos caminhos

que comigo pisavas    mas não vi

quanta incerteza havia nos carinhos

 

que    dos teus doces beijos    recebi.

Via    nos teus silêncios e olhinhos

algo que    até então    não percebi

mas se escondia    atrás dos teus beijinhos.

 

O amor seria assim?!... Talvez    amor

mas o silêncio e os beijos não nos dizem

se amar    é uma forma de ter dor

 

sem sentir    como o poeta nos dizia.

Por mim desejarei que se eternizem

os beijos que me deste em cada dia…

 

(batista_oliveira -20/03/2018)

Momento Poético - 73

 

vincenzo Irolli.jpg

                                                  (pintura de Vincenzo Irolli - artista italiano)

 

Flores que nunca o foram

 

Nos rascunhos que a vida nunca teve

jaziam botões de flores

que nunca floriram

prenhes de cor e aromas improváveis, ignotos,

à espera de partos luminosos

entre pássaros insectos e humanos

que viviam

crepúsculos e auroras de tempos esquecidos

que jamais seriam conhecidos.

 

Na subversão abortiva das flores

nasciam chagas de desejos

perdidos na memória dos tempos inóspitos

que habitavam o espelho verde das pradarias

a humidade plangente da ramaria inerte

descendo em estalactites gotosas

na busca de um leito

para rejuvenescimento

da perenidade vital

das corolas ansiadas

para exaltação

das flores que nunca o foram.

 

Nem sempre a flor se revela

na sua inaudita beleza...

respira e transpira fenecendo

no aconchego bafiento dum túmulo

de morte premonitória

bradando gritos

de lágrimas silenciosas

que se perdem na vastidão

dos lençóis verdes e vadios

onde existem  flores

que sendo um projecto

jamais serão a obra prima

 - a flor real.

 

(batista_oliveira - 29/08/16)

Momento Poético - 72

abdulmonam eassa-gettyImages.2.jpg

hamza al-ajweh-getty images.jpg

                                                          (imagens partilhadas da net)

 

(Protopoema,  intercalado num soneto – homenagem aos 400.000 habitantes de Goutha, em sofrimento…só ontem, 05/03/2018, morreram 88 pessoas nos bombardeamentos sírio-russos)

 

Requiem por Goutha

 

Ontem     oitenta e oito moradores

de Goutha     sucumbiram     sob o fogo

de cérebros tacanhos que     num jogo

de guerra     se tornaram destruidores.

 

…repara amor

das asas fumegantes de pássaros alados

solta-se a hecatombe de fogos cruzados

que apagam os sonhos

construídos nas unhas famintas

dum mundo anacrónico

em estonteante dissolução de vidas e mortes prematuras

ao som das gargalhadas

de diabos travestidos de deuses impolutos

que se drogam com libações opióides

e néctares etilizados…

 

Mentecaptos     armados em senhores

do mundo     praticavam antijogo

por trás da secretária     em desafogo

ignorando o martírio     gritos     dores. 

 

…repara amor

naquele falso brilho das lantejoulas

ornando mentes baças

esculpidas nas asas de demónios ambiciosos

e  obcecados por desejos de poderio alquimista

dum grupo anárquico

que mastigou livros de utopias e mentiras

bebendo nas palavras de marajás de loucura

divagando nas sombras de um umbral

transbordando mortos-vivos

à espera de ressurreições e reencarnações

inventadas e prometidas em litanias de desolação…

 

Goutha     vai fenecendo     em cada grito

de mortes prematuras     dolorosas

ao som de consciências de granito.

 

…repara amor

ninguém vê ou não quer ver

o sangue inocente

ainda verde de tão imaturo

mas tombando nas garras e acúleos

de fabricantes de novos infernos

que se movimentam

nas veredas e meandros da indignidade humana

vomitando línguas de fogo

e queimando as sarças de todos e ninguém

num lavar de “mea culpa”

perante a indiferença do azorrague divino…

 

Em cada esquina     há sangue… mas     não rosas…

aquele chão     não tem  AMOR     escrito…

só transpira palavras tenebrosas.

 

…repara amor

como florescem na poeira ensanguentada

as almas vadias

que buscam as pombas da paz

e vão mirando

numa atónita agonia de olhares longínquos

as bombas que vão adubando a destruição demolidora

e diluindo tantos sonhos perdidos

e tanta esperança

fragmentada em cadáveres de tantos corpos adiados…

 

…repara amor

na história

muita coisa ficará por escrever e contar

porque os anjos de luz e os arcanjos malditos

jamais conseguirão construir um poemário

de tantas apocalipses repetidas.

 

(batista_oliveira - 06/03/2018)

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