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DIVAGAR DEVAGAR-2

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Momento Poético - 82

Roberto Ferri- Goddess Ishtar.jpg

                                                   (pintura do artista italiano Roberto Ferri)

 

 

Razão de sermos o corpo que somos

 

 

A construção do corpo

não se faz com a alma dos tijolos

nem com restos de memórias

que gravitam nas galáxias dos nosso sonhos.

 

Tomamos as palavras nas mãos

escorremos o sangue pelos dedos e

desfazemos as unhas no vazio mais duro dos rochedos

mas o corpo não aparece.

 

Desde cedo aprendi que

nas contracurvas do tempo perdido

os corpos deslizavam e

não conseguiam agarrar

o seu espírito tresmalhado entre as luas

perdidas nos espelhos profundos dos lagos e

que os corpos e as flores

nasciam e cresciam explosivamente

sem transfusões de vida e sem cultivo

num contra-senso do “fiat lux” divino.

 

Trituramos num almofariz

a poção mágica das  lembranças paternas e maternas

adicionamos palavras doces 

amor e suores orgásticos e

numa apocalíptica apoteose

nasce um corpo.

 

Na génese da construção dum corpo

gravitam já os abutres e os signos fatídicos de vida e morte

os instantes vazios

poluídos de vivências e memórias

o arquétipo dum “modus vivendi” intra-corporal.

 

Com a morte do tempo que já vivi

também aprendi que

nem só de sangue vísceras e ossos é construído um corpo,

mesmo recorrendo às adâmicas costelas do primeiro ser bíblico

com ou sem abraços viperinos dum éden prometido.

 

O corpo nasce cresce e morre

cursando uma linha que sai do pó da terra e

após planagem efémera

se afunda nas águas de qualquer mar icário.

 

E nós 

corpos vadios gravitando no universo

que sonhos alimentamos?

Subsistimos e procuramos ser fragmentos dispersos

das memórias que carregamos

mas que o nosso corpo esconde

entre as vísceras e o pensamento.

 

Do que sobra de nós e

da teimosia de sobrevivermos

penso que nem as ciências exatas

nem toda a poesia

conseguirão explicar-nos

a razão de sermos o corpo que somos e porque somos.

 

(batista_oliveira,  em 09-01-18)

- publicado in "antologia Poesia Fã Clube, Inverno 2018"

Momento Poético - 81

costura 1bryce liston cameron.jpg

                                                 (pintura de Bryce Liston Cameron)

 

 

Meu fado

 

 

Fui fadado   com fado   sem destino 

num dia   sem horário pré- datado 

gerado num berçário pequenino 

prenhe de farrapada   em todo o lado.

 

Fadado   por fadário repentino

entre agulhas   dedais   pano riscado

tesouras   alinhavos   nicotina 

e muitas outras coisas   sem ter fado.

 

Meu fado   foi a manta de retalhos

que nasceu   entre agulhas e tesouras

e há-de sobreviver   aos meus trabalhos

 

num frenesi de lutas duradouras

entre sangue   maleitas e atalhos

lavrando a minha sina imorredoura.

 

(batista_oliveira - 08-05-2018)

Momento Poético - 80

 

Tomasz Rut 2.jpg

                                     (pintura de Tomasz Rut - artista polaco)

 

doce delíquio

 

 

Na precária manhã   luminescente

despertei   na candura dos teus olhos

e senti o silêncio   efervescente

de lágrimas   em queda   sobre os folhos

 

da brancura de teus seios ardentes.

Olhei   como quem olha   mas desolha

e disfarcei   num gesto pertinente

como quem vira e revira uma folha…

 

Revirei-me   e poisei   nos teus mamilos

todo o calor dos meus lábios sedentos

sugando o sabor doce de mirtilos

 

e fiquei num delíquio   por momentos…

Depois   corpos unidos e tranquilos

dois corações trocavam sentimentos…

 

(batista_oliveira - 16-05-2018)

Momento Poético - 79

tetebrinco2.jpg

                                                          (foto do meu album familiar)

 

 

 

Brinco   com teu brinco

 

 

suspenso   nas teias dum tempo vazio   miro-te.

permaneces   plena de luz e cor

digna da paleta de Vermeer…

apetece-me resvalar no melífluo

e terno calor

das  fímbrias do teu corpo…

e brincar ...

 

hoje    na acidez sonâmbula   

de amores desatinados

entre as brisas suaves e a maresia    brinco...

brinco contigo

ebúrnea estátua   de tons granulados

beijando a areia da praia.

 

numa equidistância

entre o silêncio e a alma

perdes o olhar   no horizonte

e   na lassidão da tarde   calma

procuras as razões   de tantos sonhos

buscando o futuro   bem longe.

 

brinco   com a volúpia das ondas

que te beijam os pés   com ternura 

afagando   sem que o escondas

o cio dos teus anseios. 

 

brinco   com a doce mansidão da areia 

que se enleia

sexo faminto   em espasmos

na tua pele

e sobe   numa terna orgia

rumo à fonte dos teus orgasmos.

 

brinco   com o cerúleo espaço celeste

onde esvoaçam

em círculos de loucura e esperança 

mariposas   de teus anelos

no clímax duma dança

transando com teus cabelos

 

no entanto   fico deslumbrado 

com a beleza dum brinco 

pendendo da tua orelha...

dum belo rosto de mulher… 

 

e sinto-me desfalecer

beijando esse brinco

com que brinco

na dormência do entardecer.

 

(batista_oliveira - 08/05/2018)

 

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