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DIVAGAR DEVAGAR-2

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Momento Poético - 114

crystal-clear-creek-eric-kent-wallis.jpg

                                (pintura do artista americano Eric Wallis)

 

 

No rio das minhas lembranças

 

 

No rio das minhas lembranças

nunca o tempo parou

e quase sempre galgou as margens

para lá dos infinitos medos

que jaziam

sob o olhar da minha solene inquietude.

 

Fantasmas de palha

à espera de serem varridos

pelo fogo do esquecimento

mantinham-se no deslumbramento da solidez

trespassando os objectos

havia muito

ocultos no granito da memória.

 

Na imprecisão das lembranças

o tempo

era um simples visionário

de paisagens imaginárias

e vazava    

no alor do meu quotidiano

as vozes de um passado

que se despenhava

nas cataratas do esquecimento.

 

A ressonância das lágrimas vertidas

num arrependimento    

sem penitências

ecoava nas catacumbas dos medos construídos    

à medida do meu sofrimento.

 

Nem toda a lembrança

era um rio de sangue

nem todo o tempo

media a estreiteza

das veredas do passado.

 

Os olhos apenas alcançavam

o sabor salino e amargo

das lágrimas que ressoavam

na pungência do meu sofrimento.

 

Lágrimas    

          um rio que transborda de mim

Sofrimento   

          Um calafrio quase sem fim

Lembrança    

          Arrependimento e dor

Tempo  

          um movimento incolor 

 

(batista_oliveira - 13-03-2018)

Momento Poético - 113

Salvador Dali venus e cupidillus.jpg

                     (pintura do artista catalão Salvador Dali - "Venus e cupidillus")

 

Ouvindo… o silêncio das coisas que não éramos

 

 

Menino ainda    ouvia

e sentia teus passos de luz

calcorreando as lâminas do vento

numa gesta

que buscava todos os caminhos

jamais encontrados

e ocultos nos resíduos de outros ventos

depositados em memórias

que permaneciam na caixa de Pandora

à espera que a maturidade da tua ternura

pensasse em mim

e te concedesse o dom

de ouvires os silêncios

de tudo quanto teríamos ainda

para falar e dizermos    

entre espadas de amor e beijos de loucura…

 

na cristalina redoma do silêncio

falávamos

com tudo o que nunca sonharíamos encontrar

a gratidão verde das árvores

a limpidez líquida das águas

as libidinosas carícias do vento

o calor e brilho do sol

a ternura selvagem da bicharia

a estonteante indiferença dos homens

enfim    falaríamos de tudo

quanto a nossa imaginação sorvesse

num quotidiano de desejos inacabados

como se    num delíquio de eternidade

voássemos sem asas e caminhássemos sem pés…

 

na dormência de um futuro

prisioneiro da nossa imaginação

continuaríamos    meninos    

imaginando o inimaginável

num dossel de candura

e num mágico dom de ouvirmos

o silêncio das coisas que não éramos

mas    que o futuro encarregaria de sermos

quando os teus passos de luz

iniciassem a longínqua e romântica viagem

para todos os sonhos e anseios

depositados nas luminosas margens

do meu rio de sentimentos…

 

(batista_oliveira - 19/02/2019)

 

Momento Poético - 112

vaughan Alden Bass.jpg

                                    (arte pin-up do artista americano Vaughan Alden Bass)

 

amor impoluto…perversos desejos

 

 

Não há perfume orgástico

que macule

a virgindade da tua pele

amamentada pelo cio

traçado nas lâminas

de perversos desejos.

 

Teu corpo

enviesado de beleza

e espelho de tantos olhares famintos

mantém a frescura floral

e o esplendor volátil das abelhas

sugando doces néctares

sobre pétalas

de promissores castelos de mel.

 

Continuas a brilhar

na linha sensual das tuas curvas e contracurvas

num enredado atalho

que se prolonga muito para além

do desejo espermático de tantos garanhões

ensandecidos pelas gónadas

dos seus caóticos neurónios.

 

Os relâmpagos

emanados da tua pele

surgem como bofetadas enigmáticas

de clarões que se diluem

no poema do teu corpo

sensualmente atraídos

pelos ímanes do teu cio.

 

Das iluminadas fontes

e bainhas do teu corpo

sairá toda a poesia do teu cio

escondido nas margens dos meus

e muitos outros desejos famintos

que farão transbordar

de orgástica sinfonia

teu corpo inebriado de sonhos eróticos

construídos na loucura dos desejos

que se volatilizam

no cio efervescente

traçado nas lâminas

de perversos desejos.

 

Na enigmática

e silente lucidez de sexos ardentes

renascerão

no tapete florido de teu corpo

as luzes que iluminarão

todos os poemas

que ambos decidimos lavrar

sobre as messiânicas tábuas

de um amor impoluto.

 

(batista_oliveira – 02/10/18)

 

(publicado in "Antologia Artelogy – Outono 2018")

Momento Poético - 111

olga solovey.jpg                                                (pintura da artista ucraniana Olga Solvey)

 

 

A poesia de teus lábios

 

Trazias    nos teus lábios    a poesia

que emanava    da boca    em marés vivas

pássaros volitando    de alegria

alados    de palavras assertivas.

 

Teus beijos ressoavam maresia

esculpindo    em meu corpo    ondas furtivas

de erótica lascívia e ousadia

de gestos sensuais    sem evasivas.

 

Trazias a poesia    em tua boca

e um brilho de prazer    entre teus dentes

num rasgado sorriso    boca-a-boca.

 

As palavras drenavam    sorridentes

e    numa dormência terna e louca

trocávamos mil beijos inocentes.

 

(batista_oliveira - 05/02/19)

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