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DIVAGAR DEVAGAR-2

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Momento Poético - 70

         mariabuzio.png

                                (imagem partilhada do Google)

 

Memórias de um búzio

 

 

Por detrás da porta dos meus anseios de criança

jazia um búzio que encontrei e guardei na memória

duma infância vivida entre acúleos de dor

e o prazer que exalava das buganvílias dos meus sonhos.

 

Colei-o na ansiedade dos ouvidos

e escutei

entre a bonança de tantos silêncios

que sem glória me viram nascer  crescer e florir

uma canção

 

que me ciciava as libidinosas curvas e contracurvas

das ondas do mar

o sabor do salitre envenenado e dos limos

 

que me sussurrava a longa história

desse mar aberto de silêncios e gumes de espuma

exalando aromas de sal e sargaços.

 

que me recordava as noites de bruma

e a boémia contradança das areias e do vento

desfazendo-se em abraços

às lapas e mexilhões que

na avidez de cio marinho

beijavam a rudeza da penedia.

 

Na dolência sonora

ouvia-se o piar duma gaivota

chorando a verde maresia dos seus olhos

na lassidão soturna dum casco de traineira

que moribunda se embalou em negra  rota

na busca imaginária de piratas e sereias.

 

Bem juntinho aos ouvidos

contava-me que a pérfida sageza das sereias

rasgou de traição o coração dos pescadores

que por elas ensandeceram de amores.

 

Ébrios de ilusões

foram sugados pelas entranhas das  areias

afogados em sonhos que falavam de canções

de palácios e tesouros marinhos

promessas de peixes dourados

imergindo no silêncio dos abismos

na torre de marfim dos insondáveis mistérios

 

No búzio

que resguardei num cantinho

da minha memória infantil

cofre de mil questões sem respostas

buscava muitas vezes o som dos cânticos alados

o marulhar das ondas do meu espanto

em praias de areias sem fim,

como criança feliz

embalada nos braços dos deuses.

 

(batista_oliveira - 30/01/2015)

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