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DIVAGAR DEVAGAR-2

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho, às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas.

Momento Poético - 72

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hamza al-ajweh-getty images.jpg

                                                          (imagens partilhadas da net)

 

(Protopoema,  intercalado num soneto – homenagem aos 400.000 habitantes de Goutha, em sofrimento…só ontem, 05/03/2018, morreram 88 pessoas nos bombardeamentos sírio-russos)

 

Requiem por Goutha

 

Ontem     oitenta e oito moradores

de Goutha     sucumbiram     sob o fogo

de cérebros tacanhos que     num jogo

de guerra     se tornaram destruidores.

 

…repara amor

das asas fumegantes de pássaros alados

solta-se a hecatombe de fogos cruzados

que apagam os sonhos

construídos nas unhas famintas

dum mundo anacrónico

em estonteante dissolução de vidas e mortes prematuras

ao som das gargalhadas

de diabos travestidos de deuses impolutos

que se drogam com libações opióides

e néctares etilizados…

 

Mentecaptos     armados em senhores

do mundo     praticavam antijogo

por trás da secretária     em desafogo

ignorando o martírio     gritos     dores. 

 

…repara amor

naquele falso brilho das lantejoulas

ornando mentes baças

esculpidas nas asas de demónios ambiciosos

e  obcecados por desejos de poderio alquimista

dum grupo anárquico

que mastigou livros de utopias e mentiras

bebendo nas palavras de marajás de loucura

divagando nas sombras de um umbral

transbordando mortos-vivos

à espera de ressurreições e reencarnações

inventadas e prometidas em litanias de desolação…

 

Goutha     vai fenecendo     em cada grito

de mortes prematuras     dolorosas

ao som de consciências de granito.

 

…repara amor

ninguém vê ou não quer ver

o sangue inocente

ainda verde de tão imaturo

mas tombando nas garras e acúleos

de fabricantes de novos infernos

que se movimentam

nas veredas e meandros da indignidade humana

vomitando línguas de fogo

e queimando as sarças de todos e ninguém

num lavar de “mea culpa”

perante a indiferença do azorrague divino…

 

Em cada esquina     há sangue… mas     não rosas…

aquele chão     não tem  AMOR     escrito…

só transpira palavras tenebrosas.

 

…repara amor

como florescem na poeira ensanguentada

as almas vadias

que buscam as pombas da paz

e vão mirando

numa atónita agonia de olhares longínquos

as bombas que vão adubando a destruição demolidora

e diluindo tantos sonhos perdidos

e tanta esperança

fragmentada em cadáveres de tantos corpos adiados…

 

…repara amor

na história

muita coisa ficará por escrever e contar

porque os anjos de luz e os arcanjos malditos

jamais conseguirão construir um poemário

de tantas apocalipses repetidas.

 

(batista_oliveira - 06/03/2018)

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